Em inquérito da Operação Janus, Taiguara Rodrigues dos Santos, que tinha contratos milionários com a Odebrecht em Angola, é apontado como laranja de Lula
José Emmanuel Camano, o contador da Exergia, deu uma versão diferente. Segundo ele, o capital social da Exergia é de 1,5 milhão de reais, “ tendo a integralização sido feita por João Germano (51%) e Taiguara (49%)”. Ou seja, de acordo com o relato de Camano, o sobrinho de Lula injetou quase metade do 1,5 milhão de reais na Exergia Brasil, mesmo não sabendo explicar direito como ocorreu essa operação financeira, muito menos a origem do dinheiro. Taiguara e seu contador também derraparam em outros trechos de seus depoimentos.

E-mails publicados por VEJA no ano passado revelaram que um representante da Agência Brasil de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em Cuba chegou a pedir autorização para reservar um espaço numa feira empresarial para que Taiguara e Lulinha se reunissem reservadamente com autoridades do governo local. A direção do órgão, porém, barrou a solicitação. Os investigadores apuram se Taiguara era parceiro de negócios de Lulinha. O site da Exergia Brasil foi criado pela G4, de Fábio Luis. O único cliente conhecido da empresa é a empreiteira Odebrecht.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão apurando todas as estranhezas no súbito enriquecimento de Taiguara – e quais as relações disso com Lula. “Não é difícil enxergar as diversas inconsistências na narrativa apresentada e concluir que toda a inexplicável prosperidade financeira de Taiguara e seus contratos milionários com a Odebrecht constituem, na verdade, favor e meio indireto adotado pela Odebrecht para retribuir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos serviços prestados”, diz a PF.

Taiguara, que costuma dizer que está na pindaíba, declarou à PF ter hoje uma renda mensal de 10 000 reais, coletando sucatas.