A guerra do Rio
A tropa está doente. Dos PMs afastados por psiquiatria, 58% têm menos de dez anos de serviço
Flávio Bolsonaro - O Globo
Aumento de todos os crimes violentos, caça aos nossos policiais,
elevação do número de confrontos promovidos pelos marginais, população
ordeira acuada e com medo, bandidos cada vez mais sanguinários e
convictos da impunidade! Alguém ainda tem dúvidas de que estamos em
guerra no Rio de Janeiro?
Com o estado quebrado, falido por pródigos, incompetentes e corruptos, não há recursos para nada.
A Polícia Civil está em greve há mais de dois meses e falta até papel
nas delegacias. Na Polícia Militar, falta dinheiro até para abastecer
as viaturas.
Mesmo assim, em 2016 foram apreendidos 329 fuzis, um aumento de 9,3%
em relação a 2015. E de 2015 para 2016, a polícia aumentou o número de
prisões em 24%, alcançando o recorde de 28.540 presos, e de apreensões
de menores em 14,7%, chegando à marca de 8.317, na sua esmagadora
maioria galalaus de 16, 17 anos de idade, que já dão aula para bandidos
mais velhos.
A polícia prende, e alguém solta. Qual o impacto no aumento da
violência das malfadadas audiências de custódia, que têm colocado em
liberdade marginais perigosos e deixado presos policiais que combatem
nessa guerra? Sigo preferindo uma cadeia lotada de bandidos a um
cemitério cheio de inocentes!
A legislação é frouxa com criminosos, não ampara juridicamente os
policiais, e várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)
ineficientes, que não têm mais razão para existir, devem ser
transformadas em Unidades Estratégicas de Cerco Restrito! Essas foram
algumas das conclusões do relatório elaborado pela Comissão de Análise
de Vitimização da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
No primeiro semestre de 2016, nos confrontos armados — iniciados,
sempre, pelos marginais — envolvendo as patrulhas de batalhões, em 33,2%
das vezes o criminoso se feriu ou morreu; em 46% houve apreensão de
armas e, em 48% marginais foram presos. Quando os confrontos ocorrem com
patrulhas de UPPs, os índices despencam: em 6,8% deles o criminoso se
feriu ou morreu; em 6% houve apreensão de armas, e em 10% criminosos
foram presos.
A tropa está doente, estressada, desmotivada. Dos PMs afastados por
psiquiatria, 58% possuem menos de dez anos de serviço. Ou seja, são
policiais recém-ingressados na corporação e que estão, em sua quase
totalidade, lotados em… UPPs.
O governo, insanamente, ainda quer aumentar a contribuição
previdenciária deles. E, pior, acredita que eles podem ser sugados por
mais cinco anos e se inativarem aos 35 anos de serviço. Temo que nossos
policiais façam, de fato, aquilo que me falam diariamente nas ruas:
“chefe, não vale mais a pena!”.
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