Mario Sabino - O Antagonista
Quando
petistas disseram que, sem Lula na disputa, a eleição presidencial de
2018 será “ilegítima”, ficou claro para mim que eles projetam três
lances à frente no jogo político-policial. O primeiro lance está
desenhado: o comandante máximo será condenado na primeira instância, por
Sérgio Moro, até o final deste semestre, no processo do triplex do
Guarujá. Léo Pinheiro, da OAS, contribuirá para tanto. O segundo lance
será, naturalmente, recorrer ao tribunal revisor das decisões de
Curitiba, o TRF4, em Porto Alegre. Como é altamente improvável que Lula
seja absolvido nessa segunda instância, dada a abundância de provas
contra ele e o rigor exemplar dos seus desembargadores, a confirmação da
condenação ocorrerá até dezembro ou, no máximo, o início do ano que
vem. Restará o terceiro lance no STF.
Quando
falam em ilegitimidade de uma eleição presidencial sem Lula, os
petistas já apelam ao Supremo, um tribunal que costuma ser, digamos,
sensível a argumentos aparentemente políticos. Mas a verdade é que ficou
difícil para os ministros do STF aceitarem essa falácia petista, mesmo
que desse para desprezar tudo de concreto que atesta a culpa do
comandante máximo. Até o momento, se não perdi a conta, Lula é réu em
outros quatro processos — e pode ser condenado em primeira instância num
deles mais cedo do que se imagina. Além disso, com as delações da
Odebrecht, ele passará a ser investigado diretamente em mais seis
inquéritos, para não falar dos demais nos quais o seu nome surge com
força. É impossível Lula não virar réu em pelo menos um dos processos a
serem abertos.
Há
uma decisão recente do Supremo que torna absurdo colocar Lula na
disputa pelo Planalto. Em dezembro último, o tribunal manteve Renan
Calheiros na presidência do Senado, mas, por ser réu, o tirou da linha
sucessória da Presidência da República. Ou seja, ainda que adie para
depois da eleição presidencial o julgamento de recurso em ação penal que
tenha condenado Lula, seria no mínimo ilógico permitir que um réu
entrasse na corrida eleitoral para a mesma função.
Os
mais céticos dirão que nada do que escrevi acima importa. O STF vai
ignorar sua jurisprudência e também absolver rapidamente Lula em todos
os processos que porventura chegarem ao tribunal, a fim de que ele possa
concorrer ao Planalto -- e, se for vitorioso, ganhar foro privilegiado e
suspender o jogo. Bem, diante dessa esculhambação, com o perdão do
clichê, só restaria a saída do aeroporto aos cidadãos que ainda puderem
pagar uma passagem para o exterior.
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terça-feira, 18 de abril de 2017
Se Lula for candidato em 2018, a única saída será o aeroporto
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