quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Após custosa vitória política, Temer busca afinação com Maia; presidente ‘não é tonto’, diz aliado
Painel - FSP
Balança, mas não cai Nem a denúncia nem a doença evitaram a mais custosa vitória política de Michel Temer. Mesmo pressionado pela base e desaprovado pelo povo, ele conseguiu derrubar a última barreira imposta por Rodrigo Janot ao seu mandato. A ordem agora é afinar a sintonia com o comandante da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dar cabo da tese de que o peemedebista será engolido pelo Congresso. “O presidente não é tonto”, resumiu o ministro Antonio Imbassahy. “Ele saberá equacionar tudo.”
Passou do ponto Temer fez questão de, nos dias que antecederam a votação da denúncia, disfarçar as dores que já sentia por conta de seu problema urológico. Aos auxiliares, dizia que, logo após a análise de seu caso pela Câmara, faria um novo check-up.
Palhaçada geral Passado o choque inicial da notícia da internação do presidente, deputados da base e da oposição desandaram a fazer piadas sobre o quadro de Temer.
Pudor, senhores Houve, entre os entusiastas da queda do peemedebista, quem comemorasse o incidente, dizendo que ele aumentaria a audiência da votação. Entre os aliados, gracejos de que o presidente, que tem 77 anos, teria “exagerado no Viagra”.
Não adianta tentar Para ficar blindado de qualquer acusação de indisposição com o governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu aos principais aliados que marcassem presença assim que a sessão desta quarta (25) foi aberta, por volta das 9h.
Sem descanso Após a votação, horas após deixar o hospital, Temer telefonou para o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e pediu que ele agradecesse o empenho de todos. “Vamos trabalhar amanhã”, afirmou antes de desligar.
Pelo coração O ministro Mendonça Filho (Educação) fez um apelo para convencer os sete deputados do DEM que estavam em obstrução a marcar presença no plenário. Disse que o gesto não era por Temer, mas por ele. 
Pelo cargo Fernando Chapadinha (PODE-PA) emplacou um afilhado na Funasa de seu Estado, mas estava em dúvida se marcaria presença para dar o quorum à votação da denúncia. Consultou um líder. “A nomeação saiu direitinho? Então vá!”
Para frente… O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) deu o tom do discurso do governo após o enterro da segunda denúncia. “Vamos dar continuidade à reforma da economia brasileira.”
… é que se anda “Seguiremos com o ajuste das contas públicas e com o esforço para aumentar a produtividade do país, ações que vão garantir um crescimento econômico duradouro e sustentável”, disse. Meirelles representa a chance mais palpável de o governo produzir um candidato para 2018.
Fim da dieta Disposto a assumir a paternidade de algumas medidas, Maia tornou-se alvo de brincadeiras. Aliados brincam que ele terá que “engordar muito”: haja café da manhã, almoço e jantar para convencer o plenário a aprovar a nova Previdência.
Tolerem Temer está disposto a manter o PSDB em seu governo até dezembro, mesmo com o placar de 23 a 20 votos dos tucanos pela aceitação da denúncia.
Trunfo O governador Geraldo Alckmin tem em mãos pesquisas que mostram a queda na aprovação de seu ex-pupilo, João Doria, nas últimas semanas. Pessoas próximas dizem que, depois dos últimos movimentos, ele passou a nutrir sentimento de “desdém” pelo afilhado.
Avestruz Alckmin, porém, não passa recibo. Jantou com Doria nesta terça (24). Por ora, não deve estimular uma candidatura do prefeito ao governo estadual.
Mais um O filho mais velho do ex-presidente Lula, Marcos Cláudio Lula da Silva, tornou-se réu em ação na qual é acusado por injúria, calúnia e difamação pelo prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB-SP).
Comigo não O tucano entrou com a ação depois que Marcos o criticou na internet.

Nenhum comentário: