sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Guerra de togas 
Ricardo Noblat - O Globo
O ministro Luís Roberto Barroso disse que seu colega Gilmar Mendes muda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal “de acordo com o réu”, e promove o “Estado de Compadrio”, não o Estado de Direito. Gilmar replicou dizendo que Barroso “faz populismo com prisões”. Então Barroso afirmou que Gilmar é leniente “em relação à criminalidade de colarinho branco”. Gilmar devolveu acusando Barroso de ter defendido um “bandido internacional”, no caso o italiano Césare Battisti.
Em sessão plenária de julgamento de uma ação que pedia a extinção do Tribunal de Contas do Ceará, Gilmar já havia dito que o Rio de Janeiro não era bom exemplo para nenhum Estado. Carioca, Barroso citou o Mato Grosso, Estado de Gilmar, como um lugar onde há “muitos criminosos”. Foi quando Gilmar acusou Barroso de ter libertado o ex-ministro José Dirceu. Barroso explodiu: “É mentira. Vossa Excelência não trabalha com a verdade. Dirceu foi solto por indulto da presidente da República”.
Barroso disse mais. Lembrou um verso do compositor Chico Buarque – “a raiva é filha do medo e mãe da covardia” – e bateu duro em Gilmar: “Vossa Excelência fica destilando ódio o tempo inteiro, não julga, não fala coisas racionais e articuladas. Sempre fala coisa contra alguém, tá sempre com ódio de alguém, tá sempre com raiva de alguém. Use o argumento, mérito do argumento”. A troca de acusações foi interrompida pela ministra Cármen Lúcia, que pediu calma aos dois.
Quem estava certo ao dizer o que disse – Barroso ou Gilmar? No pior dos cenários, os dois. No melhor, um deles. Nesse caso, temos no tribunal um defensor de bandido internacional que soltou sem razão José Dirceu. Ou um juiz mentiroso que muda a jurisprudência da mais alta Corte do país “de acordo com o réu”.
Ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes (Foto: Lula Marques / Agência PT)

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