Rodrigo Constantino - VEJA
Verissimo entende tanto de economia quanto eu de física quântica. A diferença é que eu não insisto em dar aulas de física quântica por aí, pois tenho vergonha na cara. Já Verissimo, em vez de escrever textos engraçadinhos sobre a comédia da vida privada, prefere nos dar aulas de história econômica, sempre dando um jeito de condenar o capitalismo e a ortodoxia para preservar sua ilusão socialista.
Na coluna
de hoje, o filho de Erico se superou. Após elogiar o Syriza, o partido
de extrema-esquerda grego que prega o calote da dívida, entre outras
atrocidades, Verissimo soltou esta verdadeira pérola: “Hitler foi um produto da austeridade”. O café da manhã quase percorreu o caminho de volta até minha boca!
Então
vejamos: a República de Weimar, seguindo as receitas típicas da
esquerda e, portanto, de Verissimo, conseguiu quebrar a Alemanha e
produzir apenas hiperinflação. Austeridade era a palavra proibida então.
O governo iria imprimir moeda como se não houvesse amanhã, para
“estimular a economia”. Aplausos da esquerda heterodoxa.
Aí
vem a conta, que sempre chega, inevitavelmente. Joga o país no caos
social e econômico, gera escassez generalizada. Os credores, com essa
mania insuportável de cobrarem o retorno do dinheiro que emprestaram na
era da bonança (na qual a esquerda jamais reclama do capital
estrangeiro), exigem medidas de ajustes para reaverem seus bens. O
esquerdista vai lá e aponta o dedo: gananciosos, abutres!
Como se não bastasse a lógica totalmente
invertida, Verissimo mente. Diz que a Grécia seguiu as receitas
ortodoxas da Alemanha e que não deram certo. Falso. A Grécia não seguiu
nem 3% dos ajustes demandados. Não cortou nada perto do que deveria nos
gastos públicos.
O grego continua se aposentando bem antes
do alemão, que paga a conta. Mas Verissimo acha que a culpa é do
trabalhador que sustenta os parasitas, não dos parasitas. A cigarra
sempre vence a formiga nas fábulas canhotas.
Na época da farra grega, os euros dos
alemães eram muito apreciados. Nunca li uma só linha de Verissimo
reclamando disso. A bolha estourou, e somente nessa hora aparece o nosso
“herói dos oprimidos” para condenar a insensibilidade dos credores. É
como um sujeito culpar a falta de bebida pela insuportável ressaca após
um irresponsável porre. Se ao menos fosse possível continuar bêbado para
sempre…
PS: É óbvio que as medidas do
Syriza não vão funcionar, e que a Grécia vai piorar sua situação. Mas
podem ficar tranquilos, pois Verissimo vai dar um jeito de culpar
novamente o capitalismo e a austeridade.
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