Fórmula da corrupção
Hélio Schwartsman - FSP
SÃO PAULO - C=M+D-A. A equação, desenvolvida pelo economista
Robert Klitgaard, descreve a corrupção. Traduzindo-a em palavras, temos
que a corrupção (C) é dada pelo grau de monopólio (M) existente no
serviço público, mais o poder discricionário (D) que as autoridades têm
para tomar decisões, menos a responsabilização (A, de "accountability"),
que é basicamente a existência de mecanismos de controle. Outras
versões da fórmula acrescentam ao A uma dimensão moral, que também
funcionaria como barreira contra a cultura da corrupção.
A leitura dos jornais, que trazem diariamente novos detalhes sobre as
operações Lava Jato, Zelotes, Origens etc., pode nos dar a impressão de
que A tende a zero, mas eu não seria tão pessimista. Na verdade, esse é
um campo em que as coisas vêm melhorando na escala das décadas. Nunca
imaginei que veria ex-ministros condenados pelo STF e empreiteiros
presos, mas isso aconteceu, eu vi.
Não estou, evidentemente, comprando a lorota petista de que os governos
do partido acabaram com a impunidade. Eu diria que as instituições
avançaram, apesar do governo, como é o ritmo natural das democracias. É
interessante notar, porém, que nossos tímidos avanços ocorreram
principalmente do lado negativo da equação e muito menos foi feito na
parte positiva.
A crer nos trabalhos de Klitgaard, mudanças no M e no D podem trazer
bons resultados. O objetivo central seria reduzir o número de instâncias
em que uma única repartição ou funcionário têm o monopólio da decisão. É
fácil visualizar o princípio imaginando que você, cidadão, precisa de
um carimbo da prefeitura. Se só um agente puder emiti-lo, você estará
nas mãos dele. Mas, se a mesma licença puder ser concedida por
diferentes secretarias, com diferentes grupos de servidores, a
matemática pertinente sugere que os bons funcionários prevaleceriam.
É um caminho que vale tentar.
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