Procuradores pedem agora a prisão preventiva de Marice Corrêa de Lima, cuja prisão temporária expiraria nesta terça-feira
Felipe Frazão - VEJA
"Tudo indica que Giselda [mulher de Vaccari] recebe uma espécie de 'mesada' de fonte ilícita paga pela investigada Marice, sendo que os pagamentos continuam sendo feitos até março de 2015. Nesse contexto, a prisão preventiva de Marice é imprescindível para a garantia da ordem pública e econômica, pois está provado que há risco concreto de reiteração delitiva", escrevem os procuradores.
A quebra do sigilo bancário da mulher de Vaccari revelou que ela recebeu 322.900 reais, de maneira parcelada (cada depósito abaixo de 2.000 reais), sem origem identificada, entre 2008 e 2014. Segundo o Ministério Público Federal, entre 2008 e 2012, ocorreram diversos depósitos acima de 10.000 reais, e também não identificados. Eles somam ao todo 260.500 reais.
Em depoimento à PF no último dia 15, Giselda afirmou que tem renda de aproximadamente 3.000 reais mensais como aposentada do Santander e psicóloga autônoma. Ela disse que não contraiu empréstimos nos últimos cinco anos. Em vez disso, repassou à filha Nayara 300.000 reais emprestados.
Vídeo - A pedido do MPF, o Banco Itaú enviou imagens de Marice em agências bancárias da capital paulista realizando os depósitos na conta da irmã. As imagens foram feitas em março por câmeras de segurança em agências bancárias nos bairros Saúde e Planalto Paulista, que ficam próximas à casa de Vaccari. Questionada pela Polícia Federal durante interrogatório nesta segunda-feira, Marice negou ter feito quaisquer depósitos para Giselda neste ano.
No pedido de prisão preventiva, os investigadores descreveram os depósitos de Marice flagrados pelo videomonitoramento. "O primeiro depósito foi efetivado no dia 2 de março de 2015. Das imagens enviadas pelo banco, é possível verificar Marice esperando na fila da agência. No exato momento da operação bancária identificada, as câmeras de segurança capturaram a imagem de Marice realizando o depósito em um dos caixas automáticos da agência. O segundo depósito foi efetivado no dia 6 de março de 2015. Analisando as imagens enviadas pelo banco, também restou possível identificar Marice realizando um depósito em favor de Giselda."
O uso de depósitos divididos em valores menores é um expediente comum em crimes de lavagem de dinheiro para não despertar suspeita das autoridades de controle do sistema financeiro nacional (Sistema de Investigação de Movimentação Bancárias - Simba), que monitoram transações bancárias de grande monta. Como os depósitos eram feitos nos caixas eletrônicos, os valores ficavam restritos ao limite de 2.000 reais, para os quais não há necessidade de identificação do depositante. No Brasil, os depósitos em dinheiro vivo acima de 10.000 reais só podem ser feitos nos caixas convencionais, que exigem o registro de quem efetua o crédito. As regras foram definidas pelo Banco Central do Brasil.
Marice Corrêa de Lima era apontada como uma operadora auxiliar de propinas para Vaccari e o PT. Ela recebia remessas de dinheiro até em casa, conforme documentos apreendidos pela Polícia Federal e depoimento do doleiro Alberto Youssef. Mas agora os procuradores já indicam que suas atividades iam além disso: Marice também era a responsável por receber vantagens pessoais indevidas destinadas a Vaccari. A mulher do petista e a filha do casal, Nayara Vaccari de Lima, já eram investigadas por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
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