Americanos e britânicos cobram um 'muro de proteção' à Europa
Maior ataque veio do premiê David Cameron, no fórum de Davos
Clóvis Rossi - FSP
EUA e Reino Unido saíram ontem ao ataque à Europa, pela hesitação em construir o "firewall", um muro de proteção financeira para amparar os países em dificuldades para pagar suas dívidas (Espanha e Itália, em particular).
O premiê britânico, David Cameron, fez o ataque no Fórum Econômico Mundial, 24 horas depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter se pronunciado no mesmo pódio, sem se comprometer com o aumento dos recursos para o fundo europeu de estabilização da economia.
Já os EUA preferiram atuar nos bastidores, embora a mensagem tenha sido a mesma de Cameron: "A crise europeia não será resolvida sem um 'firewall' mais forte e crível", conforme a Folha ouviu na delegação do país.
O "Financial Times" avaliou, por sua vez, que o discurso de Cameron "refletiu a duradoura e profunda frustração dos funcionários britânicos com a liderança alemã na crise da eurozona".
É fácil entender a "duradoura frustração" que, de resto, não é apenas dos britânicos, mas também dos americanos e até dos brasileiros.
Já na cúpula do G20 em Cannes, quase três meses atrás, o presidente Barack Obama pressionara os europeus para construir o "firewall". O FMI chegou a quantificar o tamanho da proteção: € 1 trilhão (R$ 2,3 tri).
Mas o G20 terminou sem que os europeus se comprometessem com qualquer valor para proteger os países ameaçados pela pressão dos mercados sobre suas dívidas.
Dilma Rousseff chegou a dizer que o Brasil, sondado para contribuir, não poderia oferecer nada enquanto os europeus não se decidissem.
O argumento dos EUA em Davos agrega elemento específico: Washington não pode contribuir com mais fundos para o FMI porque a ação teria que passar por um Congresso hostil.
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