sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A CRISE ECONÔMICA DE PORTUGAL É GRAVE E AS POSSIBILIDADES DE SOLUCIONÁ-LA SÃO PEQUENAS

Portugal enfrenta situação "realmente crítica", diz primeiro-ministro
FSP
AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O primeiro-ministro português admitiu nesta sexta-feira que seu país, sob ajuda financeira, atravessa uma situação "realmente crítica" e aposta que as exportações sirvam para reativar a economia este ano.
"Atravessamos um momento crítico... que produz um clima de instabilidade e de insegurança sobre o futuro da Europa e, como consequência, de Portugal", disse Pedro Passos Coelho em um debate parlamentar.
O primeiro-ministro referiu-se aos "novos problemas" provenientes "da Grécia ou de uma agência de classificação".
A agência americana Standard & Poor's rebaixou há uma semana a nota de nove países da Zona Euro, entre eles Portugal, cuja nota equipara sua dívida a um investimento especulativo, o que o governo português qualificou de "infundado".
No entanto, Passos Coelho colocou uma nota de otimismo ao afirmar que seu país poderá "registrar este ano um superávit comercial, o que não ocorre há vários anos".
Terceiro país da Zona Euro depois da Grécia e Irlanda em pedir ajuda à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal obteve em maio passado um empréstimo de € 78 bilhões em troca de um duro programa de austeridade para reduzir o déficit fiscal público.
O país espera que as exportações consigam reativar uma economia que está em profunda recessão.
ALERTA DO FMI
Mais cedo, os líderes do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e da OMC (Organização Mundial do Comércio) divulgaram uma nota conjunta com alertas sobre os riscos econômicos e sociais de programas de austeridade adotados por diversos países para combater a crise global.
Segundo informações do jornal britânico "The Guardian", o documento visa incentivar os países a agirem contra a crise, tentando impulsionar o crescimento e combater o protecionismo.
"O mundo enfrenta desafios urgentes e significantes que pesam muito sobre as perspectivas para o crescimento futuro e sobre a coesão de nossa sociedade", disse a nota.
Expressando preocupação sobre a fraqueza da atividade econômica e o crescimento do desemprego pelo mundo, Christine Lagarde, do FMI; Robert Zoellick, do Banco Mundial; e Pascal Lamy, da OMC, apelaram aos países assolados pela crise para que adotem política que impulsionem criação de trabalhos, combatam as desigualdades e incentivem uma economia verde.
"Nosso objetivo compartilhado é fortalecer a economia, o emprego e a qualidade de vida em todas as partes do mundo", reforça o documento.
"Mas, ao entrar em 2012, nos preocupamos em relação à desaceleração do crescimento global e aumento das incertezas; ao alto nível de desemprego, especialmente entre os jovens, com suas consequências econômicas e sociais negativas; ao potencial de políticas protecionistas".
ESFORÇOS
A nota conjunta foi divulgada pouco antes da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos na próxima semana, com a crescente preocupação de que 2012 verá a economia global flertar com a recessão em consequência da crise na zona do euro.
Refletindo a preocupação do FMI sobre a agressividade em excesso de alguns programas para a de redução de deficits públicos, a declaração diz que os governos devem "administrar a consolidação fiscal para promover, e não reduzir, as perspectivas de crescimento e de emprego". "Isso deve ser aplicado de forma socialmente responsável", reforçou.
Assinado por mais oito organizações internacionais, a nota pede ainda que os líderes mundiais "dediquem a energia política necessária para entregar ações concretas para sair da crise e alavancar o crescimento", uma vez que todos "têm um papel para exercer" em tal situação.

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