sábado, 21 de janeiro de 2012

EUA: AS GUERRAS ESTÚPIDAS NO AFEGANISTÃO E NO IRAQUE COBRAM UM PREÇO ALTO DEMAIS PARA OS SOLDADOS AMERICANOS

Suicídio entre soldados do serviço ativo atinge recorde, diz o Exército americano
Elisabeth Bumiller - NYT
Os suicídios entre os soldados do serviço ativo atingiram outra alta recorde em 2011, disseram oficiais do Exército na quinta-feira (19), apesar de ter ocorrido um leve declínio se computados no cálculo os soldados não mobilizados da reserva e os da Guarda Nacional.
O Exército também relatou um forte aumento, de quase 30%, nos crimes sexuais violentos cometidos por soldados do serviço ativo no ano passado. Mais da metade das vítimas é composta de soldados do sexo feminino do serviço ativo, com idades entre 18 e 21 anos.
“Isso é inaceitável”, disse o general Peter W. Chiarelli, o vice-chefe do Estado-Maior do Exército que está deixando o cargo, em uma coletiva de imprensa, se referindo ao salto nos crimes sexuais violentos. “Nossa tolerância é zero com isso.”
O vice-chefe disse que os fatores que contribuem para o aumento dos crimes sexuais foram o uso de álcool e novos quartéis que oferecem maior privacidade. Ele disse que também é possível que tenha ocorrido um aumento da denúncia desses crimes.
Chiarelli disse que 164 soldados do serviço ativo do Exército, da Guarda Nacional e da reserva tiraram a própria vida em 2011, em comparação a 159 em 2010 e 162 em 2009. O aumento ocorreu mesmo com o aumento dos esforços do Exército para prevenção de suicídios e aconselhamento para usuários de drogas e álcool, em grande parte em resposta ao aumento constante de suicídios no Exército, que teve início em 2004.
Ao ser perguntado se ele se sentia frustrado com o aumento dos suicídios no ano passado entre os soldados do serviço ativo, Chiarelli disse que não.
“A pergunta que você precisa se fazer, e este é o número que ninguém tem como provar, é como seria se você não tivesse concentrado os esforços nesse assunto como fizemos,” ele disse. “Para todos os fins práticos, nos últimos dois a três anos, ele estabilizou.”
Chiarelli realizou uma coletiva de imprensa para divulgar o relatório, “Promovendo a Saúde e Disciplina na Força”, uma revisão da saúde geral do Exército após uma década de guerra no Iraque e no Afeganistão, o período mais longo de conflito na história do país. O relatório, impresso bem antes de quinta-feira, não inclui o número final de 164 suicídios entre os soldados no serviço ativo em 2011. Chiarelli revelou a estatística na coletiva de imprensa, assim como o número de suicídios entre os soldados do serviço ativo de 2008 a 2010.
Chiarelli disse que se as unidades não mobilizadas da Guarda Nacional e da reserva fossem incluídas, os suicídios no Exército cairiam de 305, em 2010, para 278, em 2011.
A taxa de suicídios no serviço ativo do Exército tem sido mais alta do que as taxas civis desde 2008, quando ocorreram quase 20 suicídios entre 100 mil pessoas no Exército, em comparação a 18 suicídios entre 100 mil pessoas na população civil, número ajustado para ser comparável ao levantamento demográfico do Exército. O Exército projeta que os números finais para 2011 serão mais próximos de 24 suicídios entre soldados do serviço ativo entre 100 mil, outra alta recorde.
O aumento dos suicídios no Exército há muito é atribuído ao estresse dos repetidos envios de tropas durante as guerras no Iraque e no Afeganistão. Mas os oficiais do Exército dizem que há muitos outros fatores, incluindo abuso de álcool e redução dos padrões de recrutamento há vários anos, quando passou a permitir que uma população de maior risco ingressasse nas forças armadas. Chiarelli disse que, em 2010, cerca de 60% dos suicídios no Exército ocorreram durante o primeiro alistamento de um soldado, geralmente quatro anos, e que o ano mais perigoso era o primeiro –sugerindo que envios repetidos para as zonas de guerra não eram necessariamente um grande fator nos suicídios.
Desde então, disseram oficiais do Exército, ocorreu uma diminuição no número de soldados que cometem suicídio após um envio e um aumento daqueles que se matam após dois ou mais envios.
No ano passado, por exemplo, cerca de 40% dos suicídios ocorreram após um envio e outros 40% foram cometidos após dois ou mais envios. Os oficiais do Exército não puderam explicar a mudança, apesar de terem dito que estavam se fazendo três perguntas na tentativa de analisar os dados: a atenção deles ao risco de suicídio entre os soldados jovens está surtindo efeito? Os envios repetidos de fato colocam os soldados sob maior risco de suicídio? Um mercado de trabalho civil ruim desencoraja os soldados, já estressados devido aos envios repetidos, a deixarem a força?
Chiarelli buscou pintar o relatório sob uma luz positiva, dizendo que a liderança do Exército está dando séria atenção aos problemas dentro da força.
“O fato de eu estar diante de vocês hoje, apresentando estes dados, mostra que estamos vendo estes problemas, estamos vendo quais foram nossos sucessos, e estamos atacando as áreas onde temos problemas”, ele disse. “Mas também acho que mostra que após 10 anos de guerra, com uma força totalmente voluntária, sem dúvida haverá problemas que ninguém poderia prever antes disso começar.”
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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