sábado, 15 de dezembro de 2012

De que forma a união bancária pode salvar a crise financeira na Europa?
Le Monde
A Europa tem lutado para tomar os caminhos aparentes da tecnocracia. A divisão do carvão e do aço, em 1950, poderia parecer um obscuro acordo entre os donos de forjas europeias. Seria na verdade um grande salto político, que tornava a guerra entre a França e a Alemanha "materialmente impossível" e dava início a uma integração europeia irreversível.
O mesmo vale para a união bancária, decidida na quinta-feira (13) de manhã pelos ministros das Finanças dos 27 Estados-membros da UE. Essa decisão marca um salto adiante, que visa impossibilitar não a guerra, mas sim a morte do euro.
Depois que foram inventados em 2010 os fundos de solidariedade europeus, para socorrer os países em dificuldade, os europeus acabam de corrigir uma segunda falha de construção do tratado de Maastricht: a vulnerabilidade da união econômica e monetária às crises bancárias.
Na época, ninguém havia previsto que a interpenetração dos mercados financeiros e dos estabelecimentos de crédito chegaria a ponto de permitir que um país representando 2% da riqueza da União – a Grécia – afundasse toda a zona do euro.
De salvamento a injeção de capital, a Europa entrou em um círculo vicioso: após a falência da americana Lehman Brothers em 2008, os Estados tiveram de recapitalizar os bancos e se endividaram: os bancos, que não inspiravam mais confiança, compraram as obrigações emitidas por esses Estados endividados. A isso se somaram a bolha imobiliária, os deficits públicos e de competitividade europeia: afinal, ninguém sabia se teria seu dinheiro de volta.
Quando os bancos espanhóis ameaçaram afundar, na primavera de 2012, a ideia de uma união bancária se impôs: para eles mesmos se salvarem, os europeus poupados pela crise deveriam injetar capital diretamente nos estabelecimentos em falência. Os alemães exigiram, com razão, uma supervisão prévia dos estabelecimentos de crédito por parte do BCE (Banco Central Europeu). Essa primeira etapa acaba de ser cumprida. A partir de 1º de março de 2014, todos os bancos europeus serão supervisionados pelo BCE, e a partir de 2013 os que serão salvos.
A supervisão é somente uma condição prévia, que deve vir acompanhada de um mecanismo europeu de gestão de crises e de injeção de capital. Essa segunda etapa também será delicada de se implementar. Inclusive para a França: se o mercado de Paris aceitar a autoridade do presidente do Banco da França quando ele exigir a fusão de dois bancos franceses que tiverem cometido erros, não há certeza de que ele também consinta tão facilmente quando a decisão for tomada em Frankfurt. Amanhã, o caso Kerviel-Socitété Générale será resolvido em Frankfurt. É um passo considerável.
A terceira etapa consiste em instaurar uma garantia dos depósitos europeus. Seria o coroamento da união bancária. Ela é desejável, mas rejeitada por Berlim. Ela está distante, tão distante quanto a União Federal.
Tradutor: Lana Lim

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