Agir contra abusos
Governo acerta ao
enfrentar na Justiça paralisações cuja ilegalidade é patente;
Legislativo precisa disciplinar greve de servidor público
FSP
Diante da multiplicação
de greves nos setores público e privado, o governo federal, por meio da
Advocacia-Geral da União (AGU), decidiu intimidar movimentos paredistas
em pelo menos um setor de particular importância estratégica para o
país: a segurança.
Somando-se aos esforços das administrações
estaduais, ações serão protocoladas na Justiça Federal contra
paralisações das polícias. Haverá, além disso, processos pedindo o
ressarcimento de eventuais despesas decorrentes do emprego de forças
emergenciais para garantir a lei e a ordem pública.
A iniciativa
vem em boa hora. A exposição mundial propiciada pela Copa e as pressões
do calendário eleitoral tornam o período propício para movimentos
reivindicatórios. Se muitos grupos nada mais fazem do que legitimamente
aproveitar a conjuntura favorável, outros descambam para o abuso e a
ilegalidade --e estes últimos não podem passar impunes.
Verificam-se
desmandos, sem dúvida, quando não se mantêm percentuais mínimos de
atendimento aos serviços essenciais. E, de forma ainda mais patente,
quando policiais militares resolvem fazer greves --que, embora vedadas
pela Constituição, se repetem com frequência inaceitável, deixando a
população à mercê dos criminosos.
A mais recente delas, duas
semanas atrás, em Pernambuco, foi considerada ilegal pelo Tribunal de
Justiça daquele Estado. Na Justiça Federal, o governo computou nesta
semana o primeiro êxito de sua estratégia: associações apontadas como
responsáveis pela paralisação viram-se obrigadas a pagar, juntas, um
total de R$ 1,1 milhão.
O montante equivale ao que, segundo a
AGU, foi despendido (em itens como alimentação, manutenção de viaturas e
combustível) para mobilizar 177 agentes da Força Nacional de Segurança,
por exemplo.
É melhor, de fato, que essa operação emergencial
seja bancada por quem a tornou necessária, e não pelos cofres públicos
--ou seja, pelo conjunto da sociedade.
Mirar o bolso de grevistas
é uma maneira de tornar menos banais as paralisações abusivas; sendo
mais custosas, serão utilizadas apenas em situações excepcionais.
Isso
não resolve todas as dificuldades, contudo. O que fazer quando
sindicatos recusam a paternidade dos movimentos? E como fixar o limiar
da legalidade quando estão envolvidos servidores públicos que não são
proibidos, por lei, de cruzar os braços?
A primeira pergunta
exige debate caso a caso. A segunda requer solução normativa: o
Congresso precisa aprovar, o quanto antes, projeto de lei para
disciplinar o direito de greve do funcionalismo.
O Judiciário tem
declarado a ilegalidade de paralisações abusivas; o Executivo parece
sensível à crescente insatisfação da sociedade. Falta o Legislativo
fazer a sua parte.
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