Governo autônomo quer que 200 mil catalães no estrangeiro votem em referendo
Miquel Noguer e Maiol Roger - El País
Paco Serinelli/AP
11.set.2013
- Catalães fazem protesto para pressionar o governo espanhol a
autorizá-los a votar sobre a independência e a formação de seu próprio
paísCerca de 200 mil residentes no estrangeiro, mas recenseados na Catalunha, poderão se inscrever a partir da próxima semana em um registro da Generalitat que lhes permitirá, entre outras coisas, votar no referendo independentista em 9 de novembro, caso ele seja realizado.
A mobilização a favor da consulta dos catalães que vivem no exterior é uma das prioridades do governo regional há meses. No ano passado o governo da CiU criou o Diplocat, um órgão de diplomacia pública que conecta uma ampla rede de expatriados e que está organizando diversos atos para explicar o processo catalão em todo tipo de fóruns. A implementação do registro é um segundo passo que chega a apenas seis meses da consulta.
As inscrições no registro são de caráter voluntário, salienta a Generalitat. O arquivo é dirigido aos que têm a condição de catalão de acordo com o que foi estabelecido no Estatuto de Autonomia. Essa condição é a que têm todos os cidadãos com nacionalidade espanhola que residem fora do Estado, que estão incluídos nos registros dos serviços diplomáticos e que estão recenseados em alguma cidade da Catalunha.
Os trâmites para a inscrição nesse registro começarão na próxima terça-feira (3). A pré-inscrição poderá ser feita pela Internet no site da Secretaria de Relações Exteriores da Generalitat. Depois será preciso completá-la via correio postal.
Os catalães que vivem no exterior e que seguem o processo soberanista esperam que o registro sirva para acabar com os problemas habituais que têm para votar, com um sistema complicado que muitas vezes provoca que as cédulas cheguem tarde.
"É um processo longo e complexo", explica Guille López, em San Francisco. Depois de cinco anos vivendo em Nova York, nos quais nunca pôde votar, conseguiu exercer o sufrágio pela primeira vez nestas eleições europeias. Para que não aconteça o mesmo com outras pessoas, López, programador da web, desenhou uma página (vota.cat) para explicar os passos que os residentes no estrangeiro devem dar para votar. Desde sua chegada aos EUA, López procurou outros catalães com preocupações independentistas: "Em Nova York fizemos alguma manifestação pontual em 11 de setembro. Durante a maratona também houve uma ação para que os corredores catalães entrassem com uma bandeira pró-independência, fazemos coisas desse tipo", indica López, esclarecendo que o ativismo é sempre à margem das autoridades. "Não há qualquer relação com a delegação catalã em Nova York nem com o Diplocat. Atuamos pelo sentimento que na Catalunha: estar vivendo um momento histórico e querer participar."
Apesar da ação do Diplocat, os independentistas que moram no estrangeiro optaram por organizar-se por sua conta, principalmente através das delegações que a Assembleia Nacional Catalã (ANC), a entidade que luta pela independência, tem pelo mundo: "As pessoas se reuniam tradicionalmente nos centros culturais catalães. Agora nós, que vamos para fora, o fazemos na assembleia", explica Mireia Domènech, que lidera a ANC na Suíça. "Noventa por cento do que fazemos é informar a mídia, a opinião pública e os políticos sobre a situação na Catalunha", acrescenta. Domènech afirma que está aberta a colaborar com todas as ações que o governo catalão faça para facilitar o processo soberanista, mas aponta que "não há coordenação com a Generalitat". "Não trabalhamos para o governo, somos independentes", ratifica Ester Mendelsohn, à frente da ANC Israel, que confia em poder votar em 9 de novembro. "Espero que sim. Fiquei sem votar nas últimas consultar e foi muito frustrante."
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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