Venezuela: crise e escassez fazem roubos de alimentos dispararem
Pessoas são atacadas nas ruas após fazerem compras. Produtos visados incluem leite, farinha, óleo e papel higiênico
VEJA
A crise na Venezuela e a escassez de produtos básicos são os
responsáveis diretos pelo aumento de roubos e furtos, informa nesta
quarta-feira o jornal El Universal. Um quilo de farinha de
milho, quatro rolos de papel higiênico ou um quilo de leite em pó se
tornaram mercadorias tão desejáveis quanto um relógio caro ou um
smartphone. Porém, entre os ladrões que roubam os alimentos não estão
apenas delinquentes, mas muitos cidadãos comuns.
"Na entrada do Metrô Chacaíto uma senhora me bateu para roubar dois
quilos de leite em pó que eu tinha acabado de comprar", disse Andrea
Vilchez, alertando que agora teme ser atacada novamente após fazer
compras. O clima de violência que existe na Venezuela, juntamente com a
escassez de produtos básicos trouxe para o cenário nacional o aumento de
roubos e furtos não somente de alimentos como também de peças de
automóveis, baterias, pneus e outros produtos em falta no mercado. De
acordo com o jornal, as histórias de vítimas só aumentam, e devido à
baixíssima quantidade de pessoas que prestam queixa relatando tais
delitos, os pequenos roubos e furtos ficam fora das estatísticas
oficiais.
“Se você tem a impunidade para todos os crimes que ocorrem no país, por
que seria diferente nesses casos? Observamos que as pessoas estão
roubando comida não apenas por causa da fome, mas porque essas
mercadorias não são mais encontradas”, disse o criminologista e
especialista em segurança Javier Gorriño. O criminologista também disse
que parte do problema é a falta de policiais nas ruas. "A polícia não
está patrulhando e o agressor vê que não há razão para suspender o
ataque”.
Para evitar roubos, muitas pessoas estão escondendo suas compras em
bolsas escuras ao sair de supermercados. “Eu já vi isso acontecer,
algumas pessoas passam de moto e roubam as compras de outras,
especialmente de mulheres mais velhas. Agora eu venho ao supermercado
com uma bolsa escura para ninguém ver o que eu comprei”, disse Isabel
Rivas.
Devido à escassez na Venezuela, as compras na rede estatal de
supermercados são possíveis em apenas dois dias por semana e com limite
de produtos por consumidor. Os venezuelanos interessados são fichados e
recebem senhas, que funcionam em sistema de rodízio. Na prática, os
consumidores têm uma senha, mas isso não garante que eles vão conseguir
de fato comprarem alguma coisa – além das filas enormes em
supermercados, os produtos esgotam-se rapidamente. As compras em
supermercados estatais – com preços subsidiados, que atendem a população
mais carente – são limitadas a, por exemplo, dois litros de óleo, uma
lata de leite em pó, um pote de manteiga, um quilo de café e quatro
quilos de farinha por pessoa.
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