Rodrigo Constantino - VEJA
Já
que o governo vem fazendo pressão e até caça às bruxas para que ninguém
mais possa emitir opiniões ou análises pessimistas sobre sua eventual
reeleição, que tal olharmos para trás? Aí ninguém poderá nos acusar de
“terroristas eleitorais” ou “pessimistas”. Observemos o retrovisor
mesmo: o que aconteceu com o valor das principais empresas brasileiras
negociadas em bolsa? Eis a resposta:
O que podemos notar é uma clara tendência
de baixa do Ibovespa em termos reais (i.e., deflacionado pelo custo de
oportunidade da renda fixa, calculado com base na taxa básica de juros,
Selic). Desde que a presidente Dilma assumiu o governo, o Ibovespa já
perdeu 40% de seu valor real.
Isso graças à recuperação recente,
justamente como resultado da maior expectativa de que Dilma possa ser
derrotada nas eleições. Ou seja, a alta de dez pontos percentuais se
deve ao efeito Aécio, aquele que o PT quer esconder dos eleitores.
Não fosse isso, a Ibovespa já teria perdido metade de
seu valor real. Em outras palavras, aquele investidor que resolveu
apostar na gestão Dilma e aplicar suas poupanças em uma cesta das
principais ações brasileiras em vez de manter o dinheiro na renda fixa
teria, hoje, a metade do valor que teria se simplesmente tivesse
colocado em um fundo de renda fixa e saído de férias.
O PT pode até tentar vender por aí a
imagem de que isso só interessa às “elites brancas”, como sempre faz,
mas isso é ridículo. Todos perdem com esse cenário! Não só os
empresários e os investidores grandes, mas quem tem FGTS aplicado em
ações, quem tem algum recurso investido em fundo de renda variável,
funcionários que veem suas empresas perdendo valor e tendo menos
recursos para bonificações, aposentados que olham seus ativos caindo de
valor, etc.
Isso porque usei o Ibovespa, um índice
geral, e não as estatais. Essas foram dizimadas durante o governo Dilma.
A Petrobras, por exemplo, já perdeu dezenas de bilhões de valor de
mercado, e hoje é a empresa mais endividada do mundo, colocando em risco
o emprego e a poupança de milhões de pessoas.
Entende-se por que o PT não quer a
liberdade de previsões dos analistas. Mas se ele pode calar alguns
bancos, não pode mudar o passado. Basta observar o que aconteceu. E isso
porque os problemas mais graves da péssima gestão da presidente Dilma
mal começaram a aparecer…

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