Elena G. Sevillano - El País
Alexandre C. Lees/ INCT/ RAS
A Arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) é uma das espécies de aves em risco
Para o colibri-de-barba-azul (Oxypogon cyanolaemus) poderá ser tarde
demais. A espécie, originária do noroeste da Colômbia, não é vista há
cerca de 70 anos (desde 1946). De fato, talvez já esteja extinta, mas, à
falta de confirmação, está classificada como "em perigo crítico" nas
listas vermelhas de fauna e flora elaboradas pela União Internacional
para Conservação da Natureza (UICN), a autoridade mundial nesta matéria.
A nova lista vermelha de aves de 2014, elaborada com dados da BirdLife,
mostra que das 10.425 espécies de aves identificadas em todo o mundo
uma em cada oito (13%) está ameaçada de extinção.
Essas listas,
segundo Juan Carlos Atienza, da SEO/BirdLife, contribuem para
estabelecer prioridades na hora de favorecer políticas de conservação e
declarar novos espaços protegidos. Ajudam definitivamente a tentar
evitar o funesto destino do colibri-de-barba-azul. "Serve-nos para ver
que grupos de espécies são os mais ameaçados: há muitas marinhas ou
ligadas a ilhas. Também para identificar lugares geográficos de risco,
como o Sudeste Asiático, nos quais, ao proteger zonas concretas, podemos
empregar melhor o dinheiro e os esforços de conservação", acrescenta
Atienza.O catálogo de espécies de aves mudou recentemente, com a inclusão de 350 que antes eram consideradas subespécies ou raças. "Estavam camufladas por outras", diz Atienza. Estas preocupam especialmente a BirdLife, que acaba de avaliar pela primeira vez seu estado de conservação e determinou que uma em cada quatro (25%) está ameaçada, e por isso precisa de "ações prioritárias de conservação". Essa organização dá como exemplo o muitú ou mutum (Crax pinima), do noroeste do Brasil, ou o petrel-das-ilhas-desertas (Pterodroma deserta), da Madeira.
Os novos critérios permitiram detectar casos como o do avestruz comum (Struthio camelus), do qual só se reconhecia uma espécie e que constava como "preocupação menor" na lista vermelha. O avestruz da Somália (Struthio molybdophanes) hoje é reconhecido como espécie independente e figura como "vulnerável", pois sua população está se reduzindo por causa da caça descontrolada e da coleta de ovos.
Na Espanha, as espécies em perigo de extinção são 12, ou 3,3%. Segundo a SEO/BirdLife, trata-se de espécies com forte declínio populacional, muito raras ou com uma área de distribuição muito reduzida. Um exemplo é a pardela-balear (Puffinus mauretanicus), a única espécie espanhola catalogada como "em perigo crítico" na lista vermelha da UICN. Várias organizações ecológicas alertaram recentemente sobre o projeto de um hotel de luxo na ilhota de Tagomago, próxima a Ibiza, porque nessa zona habita a principal colônia de pardelas-baleares. Trata-se também da única ave marinha endêmica da Espanha. Calcula-se que restem pouco mais de 2 mil casais reprodutores.
Outras aves ameaçadas na Espanha são a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), a abetarda-das-canárias (Chlamydotis undulata fuertaventurae), a pardilheira (Marmaronetta angustirostris) e o milhafre-real (Milvus milvus).

Cientistas
do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo), do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e do Museu Paraense Emílio
Goeldi fizeram a maior descoberta da ornitologia brasileira em 140
anos. O grupo encontrou, ao todo, 15 novas espécies de aves na Amazônia,
sendo 11 endêmicas do Brasil. Entre as técnicas usadas para identificar
as aves estão as análises de material genético e de suas vocalizações
(canto e sons). O chorozinho do gênero "Herpsilochmus" (foto), por
exemplo, tinha uma frequência sonora diferente dos sons emitidos por
outras aves, caracterizando o achado. Fábio Schunck
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