Carlos E. Cué - El País
David Mercado/Reuters
Evo
Morales hasteia bandeira durante comemoração ao "Dia do Mar", em março,
em referência ao dia em que a Bolívia perdeu o acesso ao mar para o
Chile, durante a Guerra do Pacífico (1879-1883)A batalha da Bolívia com o Chile para conseguir uma saída ao mar está gerando um profundo conflito na região.
Para o Chile, é um assunto fundamental de defesa da soberania, ainda
mais em um momento em que a política chilena e a presidente Michelle
Bachelet vivem suas horas de menor aprovação dos cidadãos.
Evo Morales obteve o apoio de Ollanta Humala, o presidente peruano, que respaldou a reivindicação da Bolívia em uma cúpula bilateral, e Bachelet reagiu com firmeza: o governo chileno suspendeu uma reunião bilateral entre Humala e Bachelet prevista, embora não fechada, para a próxima semana em Paracas (Peru), no quadro da cúpula da Aliança do Pacífico. Bachelet irá a essa cúpula como previsto, mas não se reunirá com Humala.
No Chile caiu muito mal o apoio inesperado do Peru à Bolívia em um assunto que está pendente de resolução no tribunal de Haia.
Na terça-feira passada, Morales e Humala reuniram-se em Puno, à margem do lago Titicaca, em uma cúpula bilateral, e no final emitiram um comunicado em que o peruano deu um apoio muito claro à saída ao mar da Bolívia, assunto que está gerando grande simpatia em todo o continente e foi apoiado pelo ex-presidente uruguaio José Mujica.
A nota indica que o Peru "mantém seu mais amplo espírito de solidariedade e compreensão em relação à situação de mediterraneidade que afeta a Bolívia. Nesse contexto, os mandatários reafirmaram o significado das normas do direito internacional e dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular a rejeição à ameaça ou ao uso da força e a solução pacífica de controvérsias".
Depois Morales traduziu politicamente esse apoio expresso. "Em nome do povo boliviano, devo expressar uma enorme satisfação ao povo peruano e ao presidente Humala pela solidariedade e o respaldo à questão do mar, que é uma reivindicação do povo boliviano", afirmou. A nota caiu muito mal no Chile porque, afirmam, outras tentativas de resolver essa questão falharam precisamente porque os peruanos também não aceitam renunciar a uma parte de sua soberania para resolver o conflito.
Bachelet se mantém por enquanto prudente em público, mas mandou seu chanceler, Heraldo Muñoz, demonstrar sua insatisfação. Muñoz, em tom muito pouco diplomático, pediu ao Peru e à Bolívia que esclareçam a declaração conjunta. "Não nos parece clara a redação, porque há uma menção, uma referência ao uso da força que não conseguimos entender. Depois, entretanto, deve-se valorizar que se salientem o significado e a importância do direito internacional", afirmou.
A tensão continua crescendo e o gesto mais evidente é a decisão de Bachelet de não se reunir com Humala no Peru.
Não só Bachelet tem problemas internos. Humala atravessa o momento mais delicado de seu mandato, com sua imagem e a de sua mulher e possível sucessora afundada nas pesquisas.
Segundo a Ipsos, Humala tem 17% de aceitação, enquanto a primeira-dama Nadine Heredia tem 15%. Diversos escândalos de financiamento de sua campanha e os gastos de sua mulher e a crise pela revolta camponesa contra uma exploração mineral na zona de Tía María levaram Humala a uma situação complicada.
Morales não sofre esse desgaste, mas sim seu partido, que nas últimas eleições locais teve um mau resultado. Todos os governos se acusam mutuamente de usar o assunto da saída ao mar da Bolívia para desviar a atenção de seus problemas internos, mas a verdade é que o problema parece longe de uma solução.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Evo Morales obteve o apoio de Ollanta Humala, o presidente peruano, que respaldou a reivindicação da Bolívia em uma cúpula bilateral, e Bachelet reagiu com firmeza: o governo chileno suspendeu uma reunião bilateral entre Humala e Bachelet prevista, embora não fechada, para a próxima semana em Paracas (Peru), no quadro da cúpula da Aliança do Pacífico. Bachelet irá a essa cúpula como previsto, mas não se reunirá com Humala.
No Chile caiu muito mal o apoio inesperado do Peru à Bolívia em um assunto que está pendente de resolução no tribunal de Haia.
Na terça-feira passada, Morales e Humala reuniram-se em Puno, à margem do lago Titicaca, em uma cúpula bilateral, e no final emitiram um comunicado em que o peruano deu um apoio muito claro à saída ao mar da Bolívia, assunto que está gerando grande simpatia em todo o continente e foi apoiado pelo ex-presidente uruguaio José Mujica.
A nota indica que o Peru "mantém seu mais amplo espírito de solidariedade e compreensão em relação à situação de mediterraneidade que afeta a Bolívia. Nesse contexto, os mandatários reafirmaram o significado das normas do direito internacional e dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular a rejeição à ameaça ou ao uso da força e a solução pacífica de controvérsias".
Depois Morales traduziu politicamente esse apoio expresso. "Em nome do povo boliviano, devo expressar uma enorme satisfação ao povo peruano e ao presidente Humala pela solidariedade e o respaldo à questão do mar, que é uma reivindicação do povo boliviano", afirmou. A nota caiu muito mal no Chile porque, afirmam, outras tentativas de resolver essa questão falharam precisamente porque os peruanos também não aceitam renunciar a uma parte de sua soberania para resolver o conflito.
Bachelet se mantém por enquanto prudente em público, mas mandou seu chanceler, Heraldo Muñoz, demonstrar sua insatisfação. Muñoz, em tom muito pouco diplomático, pediu ao Peru e à Bolívia que esclareçam a declaração conjunta. "Não nos parece clara a redação, porque há uma menção, uma referência ao uso da força que não conseguimos entender. Depois, entretanto, deve-se valorizar que se salientem o significado e a importância do direito internacional", afirmou.
A tensão continua crescendo e o gesto mais evidente é a decisão de Bachelet de não se reunir com Humala no Peru.
Não só Bachelet tem problemas internos. Humala atravessa o momento mais delicado de seu mandato, com sua imagem e a de sua mulher e possível sucessora afundada nas pesquisas.
Segundo a Ipsos, Humala tem 17% de aceitação, enquanto a primeira-dama Nadine Heredia tem 15%. Diversos escândalos de financiamento de sua campanha e os gastos de sua mulher e a crise pela revolta camponesa contra uma exploração mineral na zona de Tía María levaram Humala a uma situação complicada.
Morales não sofre esse desgaste, mas sim seu partido, que nas últimas eleições locais teve um mau resultado. Todos os governos se acusam mutuamente de usar o assunto da saída ao mar da Bolívia para desviar a atenção de seus problemas internos, mas a verdade é que o problema parece longe de uma solução.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Nenhum comentário:
Postar um comentário