terça-feira, 2 de junho de 2015

Montadoras afastam 16 mil nesta segunda — número pode subir para 40 mil
Mercedes-Benz e General Motors (GM) deram férias coletivas a trabalhadores em três fábricas; 
olks faz lay-offs e Ford paralisa Camaçari, na Bahia
VEJA
Linha de montagem de carros da Ford em São Bernardo do Campo, São PauloLinha de montagem de carros da Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo(Nacho Doce/Reuters/VEJA)
Com as vendas de veículos novos acumulando queda de mais de 20% nos cinco primeiros meses de 2015, a indústria automobilística brasileira começa junho com 22,4 mil metalúrgicos afastados pelas montadoras, por meio de férias coletivas e lay-offs. Desse total, apenas nesta segunda-feira, as empresas suspenderam 16,6 mil trabalhadores no país, para ajustar produção à baixa demanda. Se somados aos 17,7 mil que devem ser afastados nas próximas semanas, o total de metalúrgicos que estarão suspensos durante algum dia de junho ultrapassa 40 mil pessoas.
A partir desta segunda, Mercedes-Benz e General Motors (GM) deram férias coletivas a trabalhadores em três fábricas. No caso da fabricante de caminhões, são 7 mil metalúrgicos em férias até o próximo dia 15 de junho, em São Bernardo do Campo (SP). Na unidade, a montadora possui outros 250 funcionários em lay-off desde maio do ano passado até 30 de setembro. Na última sexta-feira, a empresa demitiu 500 metalúrgicos da fábrica que deveriam retornar ao trabalho em 15 de junho, após cinco meses com contratos suspensos.
A Mercedes também colocou, a partir desta segunda, todos os cerca de 500 empregados da linha de produção de Juiz de Fora (MG) em férias coletivas até 15 de junho. De acordo com o presidente do sindicato dos metalúrgicos da cidade, João César da Silva, estão nesse grupo os cerca de 100 trabalhadores que deveriam ter retornado hoje ao trabalho após lay-off. Ele diz que o sindicato está negociando com a montadora um acordo que prevê dois novos grupos de lay-offs - de julho a novembro e de dezembro a abril - "em troca de estabilidade no emprego".
GM - Já a GM parou totalmente a produção na fábrica de São Caetano do Sul (SP) desta segunda a 28 de junho, fazendo com que 5,5 mil trabalhadores fiquem em casa nesse período. Conforme o sindicato dos metalúrgicos da região, fazem parte desse grupo os 900 trabalhadores que estão em lay-off desde maio até outubro deste ano. Na unidade, a montadora tem ainda 819 empregados com contratos suspensos. Eles deveriam retornar ao trabalho no próximo dia 9, mas a empresa ampliou o afastamento por mais um mês, para evitar demiti-los agora, segundo o sindicato.
A General Motors também anunciou que dará férias coletivas a 1,7 mil metalúrgicos na fábrica de São José dos Campos (SP) de 15 a 30 de junho. Eles deverão se juntar aos cerca de 770 trabalhadores da unidade que estão em lay-off até agosto deste ano. Esse número era de aproximadamente 790 funcionários. Porém, 20 deles retornaram ao trabalhado na semana passada, após serem chamados pela empresa, informou o presidente do sindicato dos metalúrgicos da cidade, Antônio Ferreira Barros, conhecido como Macapá.
Líder de mercado, a Fiat também anunciou que paralisará toda a sua produção na fábrica de Betim (MG) de 8 a 12 de junho, afastando temporariamente cerca de 16 mil funcionários. Será a terceira vez que a montadora recorre à medida para ajustar a produção à demanda só neste ano. Em março e maio, ela tinha colocado dois grupos de 2 mil trabalhadores em férias coletivas. A Scania faz uma parada técnica da produção em São Bernardo nesta semana, para diminuir estoques, suspendendo 3,4 mil trabalhadores.
Volks e Ford - A Volkswagen, por sua vez, colocou 220 trabalhadores em lay-off a partir desta segunda, por até cinco meses, em São Bernardo. Segundo a empresa, a medida foi mais uma "ferramenta de flexibilização para adequar o volume de produção à demanda do mercado". A montadora também tem 370 metalúrgicos com contratos suspensos em Taubaté (SP), sendo 120 desde abril e 250 desde fim de março; em ambos os casos, por cinco meses. A Volks possui ainda 570 metalúrgicos em lay-off na fábrica de São José dos Pinhais (PR), de abril a agosto.
A Ford está com toda a produção paralisada em Camaçari (BA) desde 25 de maio, após dar férias coletivas aos 2,8 mil trabalhadores da unidade. Segundo a empresa, ele retornarão ao trabalho nesta quinta-feira, mesmo sendo feriado. A montadora também tem 200 empregados em lay-off em São Bernardo desde 11 de maio, por até cinco meses. Eles faziam parte do grupo de 424 trabalhadores que estavam em banco de horas desde fevereiro. O restante aderiu ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) aberto pela empresa.

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