Renan e Cunha lançam projeto para que nomes da Petrobras sejam aprovados pelo Senado
Regras valem para estatais e bancos públicos; ministros ficarão proibidos de participar de Conselhos de Administração
Cristiane Jungblut - O Globo
Além disso, o projeto proíbe que ministros participem dos Conselhos
de Administração. A maioria dos ministros da área econômica ganha os
chamados jetons. "Não poderão integrar o Conselho de Administração
agentes políticos vinculados à União, em especial Ministros de Estado e
titulares de cargos até o terceiro escalão no âmbito dos respectivos
ministérios", diz o texto.
No caso da sabatina e da aprovação pelo Senado, o texto diz que serão
adotados o que está previsto no artigo 52. Na prática, é adotar o rito
das Agências Reguladoras, cujos dirigentes já passam pelo Senado.
O
anteprojeto tem 45 artigos. A proposta institui o "estatuto jurídico
das empresas públicas, das sociedades de economia mista e suas
subsidiárias, o qual dispõe sobre a responsabilidade na gestão
empresarial"
Os dois presidentes anunciaram que querem a aprovação do projeto, nas
duas Casas, antes do recesso de 17 de julho, ou seja, em tempo recorde.
Nesta segunda-feira, Renan e Cunha criaram uma comissão de quatro
senadores e quatro deputados para analisar o anteprojeto e apresentar
uma proposta final em 30 dias.
Outra inovação importante é que os presidentes da Petrobras e de
outras grandes empresas de economia mista terão, obrigatoriamente, que
comprovar experiência anterior no mercado de um ano. Na prática, isso
acaba com as indicações eminentemente políticas.
— Evidente que não é um projeto contra ninguém, mas a opacidade das
estatais não pode continuar. Elas precisam se submeter a regras de
transparência, de controle público, de governança — disse Renan.
Cunha disse que a Lei das Estatais seria o semelhante à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
— Não estamos interferindo nas estatais, estamos colocando regras de
transparência e de governança. O objetivo é esse (de reduzir a
corrupção), é dar qualificação e transparência. É como a LRF, mas para
as estatais — disse Cunha.
Perguntado se as indicações políticas acabavam, Cunha disse que terão
requisitos, mas disse que qualquer indicação é um "ato político".
— Indicar é sempre um ato político — disse Cunha.
O presidente da comissão mista, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Senado terá poder na questão das estatais.
— As regras valem para estatais e bancos públicos. Qualquer empresa
que tenha participação da União entra. E haverá um figurino a ser
preenchido pelos futuros ocupantes — disse Jucá.
Mas as operações de crédito do BNDES serão alvo dos trabalhos da
comissão. A ideia é incluir artigo que crie uma comissão que acompanhe
as informações sigilosas sobre operações de crédito.
— A questão do sigilo das operações do BNDES é uma questão que será trabalhada na comissão — disse Cunha.
O relator da comissão será o deputado Arthur Maia (SD-BA).
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