Patrick Healy - NYT
Os presidentes americanos da ficçãoEm "Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros" (2012), Benjamin Walker vive o presidente Abraham Lincoln que, além de exercer seu cargo no governo, é secretamente um caçador de vampiros Reprodução
"Saia do meu avião", rosna o presidente dos Estados Unidos para um sequestrador terrorista no filme "Força Aérea Um", de 1997, antes de quebrar o pescoço do inimigo e empurrá-lo para fora pela porta de carga.
Cresce a música triunfal. Os mocinhos venceram. E ninguém menos que Harrison Ford mostrou o que um presidente pode fazer se for Han Solo e Indiana Jones mesclados em um só.
Com o Estado Islâmico de
repente rivalizando a economia como a maior preocupação segundo
pesquisas recentes, muitos eleitores estão à procura das estratégias de
guerra dos candidatos à presidência em 2016. Mas após sete anos de um
cerebral presidente Barack Obama, não há como negar que alguns também
querem um líder que radie coragem e determinação. Não apenas o "líder
forte" que as pesquisas perguntam, mas alguém que os faça se sentirem
seguros em um nível visceral.
Eleitores mais velhos apontam para Ronald Reagan ao confrontar a União Soviética. Outros encontram inspiração no cinema, a forma cultural predominante nos Estados Unidos, e a firmeza de um Bill Pullman em "Independence Day", de um Jamie Foxx em "O Ataque". Ninguém espera que um presidente seja um astro de filme de ação, mas eleitores ansiosos querem um líder que não meça esforços corajosos para proteger os Estados Unidos contra ataques como os ocorridos em Paris, em 13 de novembro.
"Em tempos assustadores, você deseja heróis como presidentes", disse Barbara Hovland, a presidente do diretório republicano na área de Mason City, Iowa. "Quem não deseja um presidente que possa cuidar de si mesmo, de sua família e do país ao mesmo tempo, como fez Harrison Ford? Quando Donald Trump disse recentemente em Iowa que cortaria as cabeças do Estado Islâmico, o público foi à loucura."
Trump e Hillary Clinton, e em grau menor o senador Ted Cruz, do Texas, e o governador de Nova Jersey, Chris Christie, foram os candidatos mais mencionados como aqueles que poriam medo nos corações dos adversários dos Estados Unidos em entrevistas com cerca de 20 eleitores em Iowa e New Hampshire, onde serão realizadas as primeiras primárias em fevereiro.
"Nós precisamos de alguém que entenda que o Estado Islâmico é 10 vezes mais perigoso do que era a Al Qaeda", disse Dean Nason, um republicano de Wakefield, New Hampshire. "Os presidentes do cinema fazem com que você se sinta bem. Trump faz as pessoas se sentirem bem. E Hillary Clinton, ela pode ter problemas, mas ela sabe como sobreviver."
Mas o desejo de se sentir no controle, em tempos de turbulência, está tendo consequências ruins aos olhos de muitos eleitores. Muitas autoridades republicanas estão tentando impedir a entrada de refugiados sírios nos Estados Unidos, e alguns têm usado linguagem incendiária em relação aos muçulmanos, o que alguns eleitores veem como incitando a recente violência e ameaças contra mesquitas em Connecticut, Flórida, Nebraska e Texas.
A conversa de Trump de criação de um banco de dados nacional para rastrear os muçulmanos provocou ampla condenação, e sua linguagem combativa tem provocado consequências em alguns de seus comícios, como um no Alabama em 21 de novembro, onde vários homens brancos socaram e chutaram um homem negro que estava cantando "Vidas negras importam". Em Minneapolis, poucas noites depois, cinco pessoas foram baleadas durante um protesto do Vidas Negras Importam. Quatro pessoas foram indiciadas pelo tiroteio.
"Tenho mais medo de americanos que querem assumir o controle e fazer as coisas com as próprias mãos do que de terroristas estrangeiros virem ao nosso país", disse Kim Van Es, a líder democrata em Sioux County, Iowa. "Esses americanos já estão aqui."
Em uma entrevista, Trump disse não se arrepender por parte do público no Alabama ter agredido o negro, dizendo: "As pessoas estavam furiosas com a perturbação dele, e o sentimento delas também importa". Ele disse que entende que sua fala dura pode incitar paixões, mas atribuiu a violência as frustrações acumuladas dos americanos, que ele disse que um presidente precisa enfrentar, e não à animosidade ou algum racismo profundo.
"Os americanos estão cansados de serem empurrados", disse Trump. "Estamos perdendo para o Estado Islâmico, imigração, China, Rússia, perdendo fronteiras, bons empregos. Podemos ter vitórias. As vitórias não precisam acontecer apenas nos filmes."
Apesar de Hillary ter condenado Trump na semana passada por "explorar o preconceito e paranoia", ela está calibrando seu próprio estilo de liderança de acordo com as inseguranças das pessoas.
Ela propôs ações mais agressivas na Síria –como a imposição de uma zona de exclusão aérea e a realização de mais ataques aéreos– do que Obama. E apesar de alguns eleitores verem Obama como fraco, por não estar disposto a colocar tropas americanas em risco e evitar linguagem dura como o bordão republicano "terrorismo radical islâmico", Hillary está aberta a mais tropas das Operações Especiais na Síria e tem usado a frase "jihadismo radical" para tentar responder aos bordões da direita.
Muitos democratas agora dizem acreditar que Hillary seria uma comandante-em-chefe mais formidável do que alguns dos homens concorrendo por ambos os partidos. Isso por si só é um desdobramento notável, dado quanto tempo ela passou na campanha de 2008 tentando convencer os americanos de que uma mulher presidente poderia ser uma líder forte. Na época, a campanha dela veiculou uma propaganda dizendo que os eleitores dela poderiam confiar na sua resposta a telefonemas de emergência às 3h da manhã e seus assessores brincavam que ela era mais viril –usando uma referência anatômica picante– do que Obama e John Edwards somados.
"Eu sinto que Hillary odeia recuar, que ela realmente acredita em lutar, e acho que nossos inimigos perceberão que ela tornará a vida deles mais difícil", disse Darlene Nulk, uma professora e democrata em Lee, New Hampshire.
Trump, como muitos republicanos, disse que Reagan –um astro do cinema que conhecia o poder persuasivo da interpretação– foi uma inspiração sobre como projetar tenacidade. Ele disse que também gosta de filmes com presidentes heróicos. E sugeriu que muitos americanos adoram mais filmes e bravatas do que política e moderação.
"Meu filme favorito é o do Harrison Ford no avião", disse Trump sobre o "Força Aérea Um". "Eu adoro o Harrison Ford –e não apenas porque ele aluga meus imóveis. Ele defende a América."
Ford, um democrata, se recusou a comentar.
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Eleitores mais velhos apontam para Ronald Reagan ao confrontar a União Soviética. Outros encontram inspiração no cinema, a forma cultural predominante nos Estados Unidos, e a firmeza de um Bill Pullman em "Independence Day", de um Jamie Foxx em "O Ataque". Ninguém espera que um presidente seja um astro de filme de ação, mas eleitores ansiosos querem um líder que não meça esforços corajosos para proteger os Estados Unidos contra ataques como os ocorridos em Paris, em 13 de novembro.
"Em tempos assustadores, você deseja heróis como presidentes", disse Barbara Hovland, a presidente do diretório republicano na área de Mason City, Iowa. "Quem não deseja um presidente que possa cuidar de si mesmo, de sua família e do país ao mesmo tempo, como fez Harrison Ford? Quando Donald Trump disse recentemente em Iowa que cortaria as cabeças do Estado Islâmico, o público foi à loucura."
Trump e Hillary Clinton, e em grau menor o senador Ted Cruz, do Texas, e o governador de Nova Jersey, Chris Christie, foram os candidatos mais mencionados como aqueles que poriam medo nos corações dos adversários dos Estados Unidos em entrevistas com cerca de 20 eleitores em Iowa e New Hampshire, onde serão realizadas as primeiras primárias em fevereiro.
"Nós precisamos de alguém que entenda que o Estado Islâmico é 10 vezes mais perigoso do que era a Al Qaeda", disse Dean Nason, um republicano de Wakefield, New Hampshire. "Os presidentes do cinema fazem com que você se sinta bem. Trump faz as pessoas se sentirem bem. E Hillary Clinton, ela pode ter problemas, mas ela sabe como sobreviver."
Mas o desejo de se sentir no controle, em tempos de turbulência, está tendo consequências ruins aos olhos de muitos eleitores. Muitas autoridades republicanas estão tentando impedir a entrada de refugiados sírios nos Estados Unidos, e alguns têm usado linguagem incendiária em relação aos muçulmanos, o que alguns eleitores veem como incitando a recente violência e ameaças contra mesquitas em Connecticut, Flórida, Nebraska e Texas.
A conversa de Trump de criação de um banco de dados nacional para rastrear os muçulmanos provocou ampla condenação, e sua linguagem combativa tem provocado consequências em alguns de seus comícios, como um no Alabama em 21 de novembro, onde vários homens brancos socaram e chutaram um homem negro que estava cantando "Vidas negras importam". Em Minneapolis, poucas noites depois, cinco pessoas foram baleadas durante um protesto do Vidas Negras Importam. Quatro pessoas foram indiciadas pelo tiroteio.
"Tenho mais medo de americanos que querem assumir o controle e fazer as coisas com as próprias mãos do que de terroristas estrangeiros virem ao nosso país", disse Kim Van Es, a líder democrata em Sioux County, Iowa. "Esses americanos já estão aqui."
Em uma entrevista, Trump disse não se arrepender por parte do público no Alabama ter agredido o negro, dizendo: "As pessoas estavam furiosas com a perturbação dele, e o sentimento delas também importa". Ele disse que entende que sua fala dura pode incitar paixões, mas atribuiu a violência as frustrações acumuladas dos americanos, que ele disse que um presidente precisa enfrentar, e não à animosidade ou algum racismo profundo.
"Os americanos estão cansados de serem empurrados", disse Trump. "Estamos perdendo para o Estado Islâmico, imigração, China, Rússia, perdendo fronteiras, bons empregos. Podemos ter vitórias. As vitórias não precisam acontecer apenas nos filmes."
Apesar de Hillary ter condenado Trump na semana passada por "explorar o preconceito e paranoia", ela está calibrando seu próprio estilo de liderança de acordo com as inseguranças das pessoas.
Ela propôs ações mais agressivas na Síria –como a imposição de uma zona de exclusão aérea e a realização de mais ataques aéreos– do que Obama. E apesar de alguns eleitores verem Obama como fraco, por não estar disposto a colocar tropas americanas em risco e evitar linguagem dura como o bordão republicano "terrorismo radical islâmico", Hillary está aberta a mais tropas das Operações Especiais na Síria e tem usado a frase "jihadismo radical" para tentar responder aos bordões da direita.
Muitos democratas agora dizem acreditar que Hillary seria uma comandante-em-chefe mais formidável do que alguns dos homens concorrendo por ambos os partidos. Isso por si só é um desdobramento notável, dado quanto tempo ela passou na campanha de 2008 tentando convencer os americanos de que uma mulher presidente poderia ser uma líder forte. Na época, a campanha dela veiculou uma propaganda dizendo que os eleitores dela poderiam confiar na sua resposta a telefonemas de emergência às 3h da manhã e seus assessores brincavam que ela era mais viril –usando uma referência anatômica picante– do que Obama e John Edwards somados.
"Eu sinto que Hillary odeia recuar, que ela realmente acredita em lutar, e acho que nossos inimigos perceberão que ela tornará a vida deles mais difícil", disse Darlene Nulk, uma professora e democrata em Lee, New Hampshire.
Trump, como muitos republicanos, disse que Reagan –um astro do cinema que conhecia o poder persuasivo da interpretação– foi uma inspiração sobre como projetar tenacidade. Ele disse que também gosta de filmes com presidentes heróicos. E sugeriu que muitos americanos adoram mais filmes e bravatas do que política e moderação.
"Meu filme favorito é o do Harrison Ford no avião", disse Trump sobre o "Força Aérea Um". "Eu adoro o Harrison Ford –e não apenas porque ele aluga meus imóveis. Ele defende a América."
Ford, um democrata, se recusou a comentar.
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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