Relação de pedidos que permanecem sob sigilo de Justiça pede investigações sobre construção de porto em Cuba, obras em Angola e campanhas eleitorais
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O relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin (Rosinei Coutinho/SCO/STF)Entre os casos que seriam apurados por estas petições estão obras – em Angola e no Porto de Mariel, em Cuba – e o financiamento de campanhas eleitorais, no Brasil e no exterior. No país africano, a empresa Exergia, de Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente, teria sido contratada para o serviço mesmo sem ter nenhuma experiência no ramo. Na construção do porto, Lula é acusado de influência indevida, ao lado de Pimentel, então ministro do Desenvolvimento, para a viabilização da obra.
Em novas acusações, Antonio Palocci teria intermediado pagamentos da Odebrecht, por meio de caixa 2, para campanhas no exterior. Segundo os delatores, o ex-ministro teria pedido contribuições irregulares para as candidaturas de Ollanta Humala e Maurício Funes, respectivamente, às presidências do Peru e de El Salvador. Os pagamentos teriam sido de três milhões de dólares para a campanha peruana e 5,3 milhões de reais a João Santana, marqueteiro do PT que trabalhou para a candidatura salvadorenha.
Também são citadas campanhas no Brasil e suspeitas de desvios para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, na região norte. Henrique Eduardo Alves é suspeito de ter recebido dois milhões de reais, por meio de caixa 2, para sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte em 2014. Ex-presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) teria contado, segundo os documentos revelados pelo jornal, com uma ajuda de 500 mil reais na sua última eleição, em 2010. Também é mencionado o nome do deputado estadual de São Paulo Luiz Teixeira (PT), que seria o destinatário de 300 mil reais.
Justiça
Os casos terão diferentes destinos dentro do sistema judiciário, de acordo com a existência ou não de prerrogativa de foro. Sem menção a investigados, um caso envolvendo a Arena Corinthians será encaminhado para o STF. Por mencionar Pimentel, a petição que envolve Lula e o Porto de Mariel será desmembrada entre o Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por investigar governadores de estado, e a Justiça Federal do DF.Parte dos pedidos serão reencaminhados para a Procuradoria-Geral da República (PGR), como a eleição em El Salvador e a campanha de Raupp. Os processos que citam o ex-deputado e ex-ministro Henrique Eduardo Alves serão enviados para a Justiça Federal do Rio Grande do Norte, se juntando a outros que já tramitam nessa instância.
Na Justiça do Paraná, sob a responsabilidade do juiz federal Sérgio Moro, estarão sete, que, segundo o jornal O Estado de S.Paulo serão juntadas a ações que já tramitam no estado, além de duas novas investigações. Estão incluídos nesta lista a construção de um gasoduto no Peru – não concretizada – e possíveis desvios no fundo de pensão Petros e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Defesas
A defesa do ex-presidente Lula, segundo do jornal, rebateu suspeitas e afirmou que ele “não cometeu qualquer ato ilícito antes, durante ou após deixar o cargo de Presidente da República”. “Delações são versões unilaterais de pessoas que negociam a liberdade ou benefícios com os acusadores e por isso não configuram prova. O vazamento de material sigiloso, mesmo que sem qualquer valor probatório, apenas serve para prejudicar o trabalho da defesa e criar um ambiente artificial de culpabilidade, situação recorrente e que se tornou marca da Lava Jato, sem qualquer punição”, diz a nota, assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins.Pedro Ivo Velloso, um dos advogados do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, disse que a afirmação de que ele pediu dinheiro para o aliado Henrique Alves é “uma acusação falsa”. O defensor do senador Valdir Raupp, Daniel Gerber, também foi procurado pelo jornal, mas não vai se pronunciar.
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