Brêtas detemina que Cabral seja transferido para presídio federal
Segundo procurador, ex-governador está recebendo informações indevidas na cadeia
Juliana Castro e Marco Grillo - O Globo
Após pedido do Ministério Publico Federal (MPF), o juiz Marcelo Brêtas determinou a transferência do ex-governador Sérgio Cabral
(PMDB) para um presídio federal. De acordo com o procurador Sérgio
Pinel, Cabral demonstrou no depoimento que está recebendo informações
indevidas na cadeia. O ex-governador citou, por exemplo, que o
marqueteiro Renato Pereira firmou acordo de delação premiada. Segundo o
MPF, as "informações indevidas" prejudicam a instrução do processo.
(LEIA MAIS: o que pesa contra Sérgio Cabral)
O
Ministério da Justiça receberá um ofício ainda nesta segunda-feira, e
em seguida vai informar qual unidade vai abrigar o ex-governador.
Atualmente, o governo federal tem quatro penitenciárias: em Catanduvas
(PR), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Campo Grande (MS).
Cabral está preso em Benfica. O antigo Batalhão Especial Prisional da
PM (BEP) ficou marcado pelo histórico de regalias desfrutadas por
policiais militares que ficavam presos lá. Em 2012, um relatório da Vara
de Execuções Penais revelou que detentos tinham 109 geladeiras, 52
micro-ondas, 102 televisores, 63 cafeteiras e uma máquina de fazer
frango assado. Os PMs chegaram a retirar as grades das celas e construir
puxadinhos.
O presídio foi reformado este ano para abrir novas vagas. Os detentos da Lava-Jato ficam numa ala com 72 vagas, com nove celas equipadas com quatro beliches cada.
A audiência hoje para ouvir Cabral começou tensa e teve que ser
suspensa por cinco minutos. Logo no início, Cabral lembrou as duas
sentenças do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.
— Vossa Excelência não acredita em mim — disse Cabral.
Em determinado momento da audiência sobre o processo de lavagem de
dinheiro por meio de compra de jóias da H.Stern, Cabral lembrou que a
família do magistrado tem uma loja de bijouterias:
— Não recebi com bons olhos o interesse manifestado do acusado de
informar que minha família trabalha com bijouterias. Esse é o tipo da
coisa que pode ser entendida como ameaça — afirmou Bretas.
Antes, o peemedebista já tinha dito que o Ministério Público Federal
(MPF) está fazendo um teatro e falado que Bretas via em seus processos
uma forma de se projetar:
— O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal e me fazendo um calvário.
Com o clima tenso, o advogado de Cabral, Rodrigo Roca, pediu a
suspensão do depoimento por cinco minutos para que pudesse conversar com
o cliente.
— Não há necessidade — chegou a dizer Cabral ao advogado.
Bretas acolheu o pedido e suspendeu o depoimento por cinco minutos. benfica.
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