Juan Gómez - Der Spiegel
Os jornalistas e os demais funcionários do jornal econômico "Financial Times Deutschland" (FTD) foram informados nesta sexta-feira (23) sobre seu possível fechamento pela editora Gruner+Jahr. Segundo diversas informações, o jornal de Hamburgo sairá pela última vez no dia 7 de dezembro. O conselho de vigilância do G+J deu luz verde na quarta-feira (21) para a direção fechar ou reestruturar o FTD, cuja redação está integrada com outras três publicações econômicas da casa. Fontes da empresa ainda afirmavam que na última hora de quinta-feira (22) restava uma possibilidade de que o diário se salvasse graças a sua venda. Não consta quem poderia estar interessado.
Pelo que se lê em veículos tão solventes quanto o "Frankfurter Allgemeine Zeitung", o salvamento do FTD é uma possibilidade muito remota: 321 dos 350 empregados de imprensa econômica do G+J serão demitidos antes do fim de janeiro. A demissão custará à empresa 40 milhões de euros.
O FTD foi fundado em 2000 como projeto comum entre a editora britânica Pearson, que publica o "Financial Times" de Londres, e a alemã G+J. Em 2008 a Pearson vendeu seus 50% para os alemães. O FT inglês e o FTD não têm nada a ver desde então. Günther Rager, especialista em imprensa na Universidade de Dortmund, explica que "o mercado de imprensa especializada na Alemanha é limitado e tem concorrência demais". Ele calcula que na Alemanha as receitas de publicidade em papel cairão mais de 10% entre 2012 e 2013. O impacto desse retrocesso é maior em publicações com ênfase para um setor, como é o caso do diário econômico FTD, que perdeu "cerca de 250 milhões de euros" em uma década. Nunca deu lucros e todas as tentativas de torná-lo rentável "fracassaram até o insustentável".
Wolfgang Münchau, que foi um dos fundadores do FTD em 2000 e também um de seus primeiros diretores, escreve em sua coluna mais recente no Spiegel Online que "o problema do FTD é que não é suficientemente especializado" para que seu conteúdo na Internet possa ser pago, "mas também não vale como produto de massa" financiado por anúncios. Seu diagnóstico se concentra na Internet porque considera que a "tragédia do setor" de imprensa "foi sua incapacidade de colonizar a rede". Na Internet, diz ele, triunfam os agregadores e os serviços que combinam diferentes formatos: na Alemanha, por exemplo, o Spiegel Online, que tem uma redação independente do famoso semanário. Münchau estima que estamos "diante do princípio do fim do papel impresso". Um crepúsculo que, segundo o célebre colunista, "se acelera com cada medida de economia" dos jornais, "que reduzem sua qualidade e assim forçam a perda de ainda mais leitores".
Falando ao telefone em um trem para Berlim, o professor Rager prevê "pelo menos mais dez anos" de imprensa impressa. Está "em declínio", "como se pode ver pela diminuição das assinaturas na Alemanha". Os jornais alemães são distribuídos em primeiro lugar através de assinaturas, cujo número recua "cerca de 2% ao ano". O leve aumento das vendas em bancas e a publicidade na Internet não contêm a hemorragia de receitas.
Além do provável fechamento do FTD, na semana passada se soube da insolvência do jornal "Frankfurter Rundschau", que há meio século foi o grande periódico da esquerda jovem e alternativa. Foram anos de decadência, com uma leve recuperação obtida com a redução de seu formato e um enfoque mais regional. Não adiantou muito.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Pelo que se lê em veículos tão solventes quanto o "Frankfurter Allgemeine Zeitung", o salvamento do FTD é uma possibilidade muito remota: 321 dos 350 empregados de imprensa econômica do G+J serão demitidos antes do fim de janeiro. A demissão custará à empresa 40 milhões de euros.
O FTD foi fundado em 2000 como projeto comum entre a editora britânica Pearson, que publica o "Financial Times" de Londres, e a alemã G+J. Em 2008 a Pearson vendeu seus 50% para os alemães. O FT inglês e o FTD não têm nada a ver desde então. Günther Rager, especialista em imprensa na Universidade de Dortmund, explica que "o mercado de imprensa especializada na Alemanha é limitado e tem concorrência demais". Ele calcula que na Alemanha as receitas de publicidade em papel cairão mais de 10% entre 2012 e 2013. O impacto desse retrocesso é maior em publicações com ênfase para um setor, como é o caso do diário econômico FTD, que perdeu "cerca de 250 milhões de euros" em uma década. Nunca deu lucros e todas as tentativas de torná-lo rentável "fracassaram até o insustentável".
Wolfgang Münchau, que foi um dos fundadores do FTD em 2000 e também um de seus primeiros diretores, escreve em sua coluna mais recente no Spiegel Online que "o problema do FTD é que não é suficientemente especializado" para que seu conteúdo na Internet possa ser pago, "mas também não vale como produto de massa" financiado por anúncios. Seu diagnóstico se concentra na Internet porque considera que a "tragédia do setor" de imprensa "foi sua incapacidade de colonizar a rede". Na Internet, diz ele, triunfam os agregadores e os serviços que combinam diferentes formatos: na Alemanha, por exemplo, o Spiegel Online, que tem uma redação independente do famoso semanário. Münchau estima que estamos "diante do princípio do fim do papel impresso". Um crepúsculo que, segundo o célebre colunista, "se acelera com cada medida de economia" dos jornais, "que reduzem sua qualidade e assim forçam a perda de ainda mais leitores".
Falando ao telefone em um trem para Berlim, o professor Rager prevê "pelo menos mais dez anos" de imprensa impressa. Está "em declínio", "como se pode ver pela diminuição das assinaturas na Alemanha". Os jornais alemães são distribuídos em primeiro lugar através de assinaturas, cujo número recua "cerca de 2% ao ano". O leve aumento das vendas em bancas e a publicidade na Internet não contêm a hemorragia de receitas.
Além do provável fechamento do FTD, na semana passada se soube da insolvência do jornal "Frankfurter Rundschau", que há meio século foi o grande periódico da esquerda jovem e alternativa. Foram anos de decadência, com uma leve recuperação obtida com a redução de seu formato e um enfoque mais regional. Não adiantou muito.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Nenhum comentário:
Postar um comentário