Na vitória de Obama, a mobilização das minorias fez a diferença
A segunda vitória de Barack Obama (50% dos votos, contra 48% de Mitt Romney, uma diferença de 2,8 milhões de votos) não foi tão ampla quanto a primeira (52,9% contra 45,7% de John McCain). Para além de suas escolhas políticas, seu segredo reside em duas palavras: organização e demografia. Em um país onde o índice de participação é historicamente baixo (em torno de 60%), perceber antecipadamente quem são seus eleitores, estabelecer um contato com eles e não largá-los até que eles tenham votado se revela determinante. Foi isso que fizeram os milhares de voluntários da campanha de Obama, trabalhando há meses em Ohio e em outros “swing states” (Estados indecisos).
Depois de compor imensos arquivos digitais de potenciais eleitores, eles trabalharam o terreno concentrando-se nos simpatizantes. “Não perdemos tempo tentando convencer as pessoas a votarem em Obama. Precisamos persuadi-las a irem votar. Nossa insistência é respeitosa, mas firme”, resumiu, no dia da votação, um voluntário no posto de um bairro popular de Colombus. Foram até organizados rodízios de carros para levar até as urnas as pessoas sem meio de locomoção. Essa estratégia rigorosa não permitiu mobilizar o mesmo tanto de eleitores que em 2008, ano em que com a ajuda do “efeito Obama” a participação havia sido excepcional (61,6%). Mas deve ter chegado perto.
O índice de participação real só será conhecido daqui a alguns dias, quando serão contabilizadas as cédulas enviadas por correio e aqueles registradas provisoriamente, nos casos em que a validade da inscrição do eleitor não pôde ser comprovada até o dia da votação. Nos Estados do leste atingidos pela tempestade Sandy, os eleitores não puderam comparecer às urnas. Já em Ohio, Estado crucial onde os eleitores votaram no plebiscito sobre o salvamento da indústria automobilística por parte do Estado federal, a participação atingiu o mesmo nível de 2008.
Obama garantiu sua reeleição ao conseguir, como em 2008, coligar vários segmentos da população: jovens, assalariados instruídos, negros, latinos. Sua vitória é resultado da força da mudança demográfica em andamento, que enfraquece a preeminência da população branca (que não inclui os hispânicos, na percepção americana). Até 2020, mais de um em cada três eleitores será negro, latino ou asiático, e eles serão maioria na metade do século. O Partido Republicano, quase que exclusivamente branco, não soube negociar essa mudança.
Sem as minorias, Mitt Romney teria vencido com ampla vantagem: Barack Obama recebeu somente 39% dos votos de eleitores brancos, segundo a pesquisa de boca de urna do Instituto Edison. E os brancos do sexo masculino só constituem... 25% dos eleitores do atual presidente.
Embora 93% dos negros tenham votado em Obama (-2% em relação a 2008), foi sobretudo a participação excepcional dos latinos, categoria mais dinâmica demograficamente (10% do eleitorado este ano, contra 9% em 2008), que contribuiu para sua reeleição. Os hispânicos deram 71% de seus votos ao presidente (67% em 2008), contra 27% para Romney, que se saiu pior que John McCain em 2008 (31%).
O candidato republicano manteve um discurso tão repressivo sobre a imigração para conseguir o apoio de seu partido, que o tom mais moderado que ele adotou na campanha em si não convenceu.
Os latinos, que representam 18% dos eleitores de Nevada (15% em 2008), ajudaram Obama a conservar esse Estado onde se situa Las Vegas. O mesmo vale para a Virgínia, o Novo México e o Colorado, onde eles representam 14% dos eleitores e deram 75% de seus votos ao presidente. Na Flórida, 62% dos 14% de eleitores latinos votaram em Barack Obama, contra 57% em 2008. Até as novas gerações, provenientes da imigração cubana, menos conservadoras que seus pais, agora pendem para o lado democrata.
Mas a diferença entre republicanos e democratas não passa unicamente pela questão das origens. Na Ohio operária, uma situação excepcional, a maioria dos brancos que não cursaram ensino superior votou em Obama.
Os critérios de idade, sexo, nível de instrução e de prática religiosa dividem, a grosso modo, dois Estados Unidos: as mulheres, os jovens, as pessoas de renda baixa e média e aquelas que frequentam ocasionalmente ou nunca um culto religioso, votaram em sua maioria em Obama. Os homens, com mais de 40 anos, de renda alta, protestantes praticantes, preferiram Romney.
Tradutor: Lana Lim
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