quinta-feira, 29 de maio de 2014

Espanha: crise dos socialistas enfrenta saída do líder Rubalcaba
Anabel Díez e Lourdes Lucio - El País 
Dominique Faget/AFP
Alfredo Pérez Rubalcaba, da oposição socialista na Espanha, anunciou que vai deixar a liderança Alfredo Pérez Rubalcaba, da oposição socialista na Espanha, anunciou que vai deixar a liderança 
Os principais dirigentes do PSOE aceitam um conclave em julho, mas apostam em dar voz a todos os afiliados. Susana Díaz afirma que a Andaluzia é sua prioridade
Depois do primeiro impacto da decisão de Alfredo Pérez Rubalcaba de convocar um congresso extraordinário em julho para que ele e toda a sua direção sejam substituídos, os prós começam a superar os contras. As propostas começam a fluir, embora ainda entrelaçadas com algumas queixas dos que teriam desejado a convocação de primárias abertas para eleger o candidato eleitoral antes do congresso para votar o novo secretário-geral.
No meio, começou a surgir um movimento transversal, sem caráter crítico, a favor de que o futuro secretário-geral do PSOE seja escolhido pelo sufrágio de todos os militantes, e não só pelos delegados. Foi o que se fez no Partido Socialista da Galícia, PSdG-PSOE, e assim o fará em setembro o conclave convocado pelo secretário-geral dos socialistas bascos, Patxi López, para substituí-lo, depois de anunciar na terça-feira (27), que segue os passos de Rubalcaba.
Os dois casos citados o podem fazer com sua lei na mão, já que assim admitem os estatutos do PSOE galego e basco, embora não o federal. Mas isso pode ser solucionado, se quiserem, indicam quadros médios de diversas federações socialistas.
Das Canárias até Castela e Leão, a própria Galícia, o País Basco, Extremadura e Castela-Mancha animam esse debate. O secretário-geral dos socialistas castelano-manchegos, Emiliano García Page, indicou na reunião da executiva, na segunda-feira, quando Rubalcaba anunciou sua retirada e a convocação de um congresso, que era relevante que os militantes votassem.
A atual direção, além disso, lembra que o secretário de organização, Óscar López, é um defensor dessa votação universal para escolher os líderes do partido, embora não figure nos estatutos.
Um militante, um voto. Esse procedimento aliviaria a pressão dos que receiam a decisão de Rubalcaba de não ter convocado primárias em vez de um congresso e enfraqueceria a crítica de que das cúpulas das federações se pode influir na eleição dos delegados que votarão depois. Não é a mesma coisa mil delegados que 200 mil militantes, argumenta-se. As fontes consultadas não creem que a federação andaluza se oponha a essa proposta, que, em primeiro termo, tem que calibrar o secretário-geral, Alfredo Pérez Rubalcaba.
A relevância do critério da Andaluzia é inquestionável. Havia expectativa sobre o que poderia ocorrer na reunião celebrada por sua secretária-geral, Susana Díaz, com os oito secretários provinciais da Andaluzia. Na mesma, a presidente andaluza negou, diante dos seus, que tivesse "influído" ou "pressionado" Rubalcaba para que convocasse o congresso.
Rubalcaba lhe comunicou a decisão na segunda-feira, à primeira hora da manhã, antes de comunicá-la à executiva. No entanto, para Rubalcaba não era segredo que a opção de Díaz era um congresso, e não primárias, segundo reconhece a direção federal e, na terça-feira, corroboraram os interlocutores andaluzes consultados. Nesta reunião com os secretários-gerais e depois em outra com a executiva em plenário, Díaz afirmou que sua dedicação plena estava na Andaluzia.
"Minha prioridade é a Andaluzia, vocês sabem", afirmou a presidente aos jornalistas ao entrar na sede regional de seu partido. Ao transferir para dirigentes socialistas da região a possibilidade de que seu líder pudesse compatibilizar a secretaria-geral do PSOE com a presidência da Junta, a resposta é que "não na data de hoje".
No PSOE andaluz há duas posições diferentes. De um lado estão os que acreditam que devem consolidar as expectativas eleitorais de alta que indicam os resultados obtidos no domingo passado. Esse objetivo traz embutido que Díaz cumpra sua palavra de se candidatar nas eleições em sua comunidade. Em paralelo, estão os que consideram que "o prioritário" é recompor a marca PSOE com uma liderança forte como a de Díaz, e o demais virá depois.
Não só na Andaluzia se fazem especulações, também nos corredores do Congresso. Não há outro modo de tomar posição e debater sobre a decisão do secretário-geral porque não há um marco no qual expressar a opinião. Diante da falta de um fórum para expressar a opinião, o grupo parlamentar socialista --deputados e senadores-- se transformou na ágora do debate. Na terça-feira, vários deputados aproveitaram para mostrar sua opinião sobre a decisão de Rubalcaba; alguns a favor e outros partidários das primárias.
No primeiro grupo estava o ex-presidente do PSOE Manuel Chaves e o ex-vice-secretário-geral José Blanco. Do outro lado, a deputada canária Patricia Rodríguez, a galega Laura González Seara, a asturiana Mariví Monteserín e o basco Odón Elorza. Todos eles bem relacionados com Carme Chacón, mas também com Eduardo Madina. Este último não tomou a palavra desde a mesa que presidia a reunião, em sua qualidade de secretário-geral. Mas, a porta-voz do grupo, Soraya Rodríguez, saiu em defesa da opção de Rubalcaba.
Os interlocutores consultados salientam que os críticos da realização do congresso antes das primárias elogiaram a decisão de Rubalcaba de assumir toda a responsabilidade pela derrota.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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