Béatrice Jérôme - Le Monde
Arte UOL
Fusão das regiões e adiamento das eleições
Um primeiro projeto de lei deverá ser apresentado pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Ele abriria caminho para um novo recorte das regiões, que poderão ficar entre 11 e 15 contra as 22 de hoje. Esse texto deverá propor o adiamento da eleição regional para o outono de 2015 ou para a primavera de 2016.Para poder justificar esse adiamento junto ao Conselho Constitucional, o governo deve acompanhar o projeto de lei de um mapa dos novos contornos das regiões. Esse texto deverá ser debatido na Assembleia Nacional em julho.
Aumentar a jurisdição das regiões
Marylise Lebranchu, ministra da Descentralização, também deverá apresentar, em meados de junho, um projeto de lei sobre uma nova divisão das jurisdições entre as regiões. O Conselho de Estado já recebeu uma versão desse texto em abril, e desde então Lebranchu lhe transmitiu acréscimos e modificações considerando o compromisso de suprimir os departamentos.O texto deverá deixar aos parlamentares locais a possibilidade de passar as competências departamentais (social, estradas, escolas) para as regiões ou para as intermunicipalidades. Nas zonas rurais, onde as intermunicipalidades são pouco desenvolvidas, as regiões poderiam receber mais prerrogativas departamentais. Já os departamentos urbanos, pelo contrário, poderão transferir suas competências às metrópoles. Esse projeto de lei deverá ser debatido no Senado, mas após as eleições senatoriais previstas para o outono.
O quebra-cabeça do futuro dos departamentos
Acabar com os departamentos enquanto divisões administrativas pressuporia uma reforma constitucional. Embora certos ministros pensem que ela poderia ser tentada, até o momento François Hollande parece descartá-la.Duas possibilidades para renovar os conselheiros departamentais
Uma primeira opção consistiria em eleger conselheiros regionais que atuariam ao mesmo tempo na região e em instâncias departamentais. Essa solução tem um inconveniente: o sistema de votação regional concede um bônus ao partido que chega em primeiro lugar. Assim, em um departamento, um partido poderia ser minoritário em termos de votos, mas maioritário em cadeiras. "O departamento de Mayenne, que vota na direita, poderia ter uma maioria de representantes de esquerda", resume um parlamentar do PS.Outra possibilidade é a organização de eleições departamentais como previsto, segundo o sistema de eleição binominal votado em 2013. Mas os eleitores votariam em representantes sabendo ao mesmo tempo que eles estão fadados a desaparecer.
Independentemente da solução, o chefe do Estado quer combinar as eleições regionais e departamentais, contanto que o Conselho Constitucional aceite o adiamento das duas votações.
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