quinta-feira, 29 de maio de 2014

Estudantes organizam protestos contra o partido de extrema-direita na França
Le Monde
Peter Dejong/AP
Um protesto foi realizado em novembro contra reunião entre a líder da Frente Nacional, a francesa Marine Le Pen (foto), com Geert Wilders, do Partido da Liberdade, na Holanda, para discutir estratégias da direita nas eleições europeias Um protesto foi realizado em novembro contra reunião entre a líder da Frente Nacional, a francesa Marine Le Pen (foto), com Geert Wilders, do Partido da Liberdade, na Holanda, para discutir estratégias da direita nas eleições europeias
Doze anos depois do 21 de abril de 2002, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a presença de Jean-Marie Le Pen no segundo turno das eleições presidenciais, os bons resultados obtidos pelas listas da Frente Nacional (FN) no domingo (25) nas eleições europeias não provocaram nenhuma grande manifestação.
Contudo, a Unef (União Nacional dos Universitários da França) e a UNL (União Nacional dos Estudantes de Ensino-médio), duas organizações consideradas de esquerda, lançaram, na terça-feira (27), uma convocação para protestos na quinta-feira (29), às 14h, em todas as principais cidades da França e na Praça da Bastilha em Paris. "A Frente Nacional com 25% de votos não é nossa França!", proclamaram as associações."A votação do último domingo não reflete nossa juventude. Em seus engajamentos, suas mobilizações e suas lutas, os jovens defendem valores de igualdade, de solidariedade e de abertura para o mundo que contrariam os valores da extrema-direita e da Frente Nacional. (...) Os resultados da Frente Nacional obrigam os jovens a reagirem, para denunciar a extrema-direita e seus perigos, mas também e sobretudo para que ouçam nossa voz: nós nos recusamos a permitir que a extrema-direita seja a porta-voz de nosso protesto!"
"Os jovens aderiram à abstenção como nunca: mais de 50% nas eleições municipais e 73% nas eleições europeias", eles lembram também em um comunicado assinado pela Unef e pela UNL, mas também pela Fidl (Federação Independente e Democrática dos Liceus), pelas associações Osez le féminisme, Maison des Potes, Ensemble, Jovens Socialistas, Jovens Comunistas, Jovens do Partido de Esquerda, Jovens da Esquerda Unitária, Jovens Ecologistas e, por fim, os Jovens Radicais de Esquerda.

"Marcha contra a FN"

A Fidl também faz um apelo em seu site por uma manifestação em Paris no dia 28 de maio, na Place des Innocents, "para mostrar o desgosto dos jovens" diante da extrema-direita.
Paralelamente a esse apelo, Lucas Rochette-Berlon, aluno do último ano do ensino-médio no liceu L'Olivier-Robert-Coffy, em Marselha, criou no domingo à noite um evento no Facebook convocando "uma marcha contra a FN" para quinta-feira, às 11h. Na terça-feira, esse evento já contava com a confirmação de presença de mais de 19 mil pessoas.
Entrevistado pelo "Le Lab", o estudante diz ter se afiliado recentemente à UNL, mas classifica sua iniciativa como "apolítica".
"Vamos mostrar à FN, aos partidos políticos, aos jornalistas, ao mundo que estamos denunciando o racismo, a xenofobia, o ódio, o isolamento desse partido e que os franceses não compartilham desses valores", diz a página do evento.

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