Le Monde
Benoit Tessier /Reuters
O então presidente da UMP, Jean-François Copé (ao centro), chega à sede do UMP em Paris (França)Em março, Jean-François Copé se comparava com "líderes de primeiro plano tais como Clemenceau, De Gaulle, Chirac ou Sarkozy". Mas líder ele já não é mais, pelo menos do UMP, partido cuja presidência ele aceitou deixar na terça-feira (27), sob pressão dos oficiais que exigiram sua saída após as últimas revelações sobre o caso Bygmalion.
Já enfraquecido pelos resultados da UMP nas eleições europeias, Jean-François Copé se viu mergulhado mais uma vez no centro das suspeitas ligadas ao financiamento da campanha de Nicolas Sarkozy em 2012. Tudo começou com as declarações do advogado da Bygmalion, na segunda-feira (26), uma agência de comunicação dirigida por amigos de Jean-François Copé.
Segundo o advogado, a UMP pediu à Bygmalion em 2011 e em 2012 que lhe atribuísse notas falsas que correspondessem a gastos verdadeiros (comícios, reuniões públicas etc.) para que elas não entrassem nas contas de campanha de Nicolas Sarkozy. O ex-diretor adjunto da campanha, Jérôme Lavrilleux, também reconheceu "deslizes" na segunda-feira, à BFM-TV.
Uma reunião bombástica
Não se passaram 24 horas após essas reviravoltas, que novamente mancharam Jean-François Copé, até que a UMP se mexesse. A cúpula do partido se reuniu na terça-feira de manhã na Assembleia Nacional e o encontro se transformou em um acerto de contas.
Pouco antes da reunião, François Fillon publicou um comunicado inambíguo:
"Sua responsabilidade é manter-se afastado enquanto durar a investigação e deixar uma verdadeira direção coletiva conduzir a UMP até uma conferência extraordinária refundadora que permitirá aos militantes escolherem uma nova direção e debater serenamente nossa linha política".
Muitas figuras do partido, como Xavier Betrand, Nathalie Kosciusko-Morizet, François Baroin, aproveitaram para encostar Jean-François Copé na parede, fazendo de sua saída a condição indispensável para a sobrevivência da UMP. Vários participantes descreveram um clima "extremamente violento".
"Você precisa sair", esbravejou Fillon. "Sua gestão do partido não é aceitável, saia!", completou Bertrand. "Você serviu a seus amigos e isso está se voltando contra você!", exclamou Morizet, enquanto Baroin advertia: "Não vou mais apertar sua mão."
As poucas palavras de apoio a Jean-François Copé vieram de Nadine Morano e de Renaud Muselier.
Uma nova direção coletiva
Jean-François Copé, que no início dessa reunião afirmou que não renunciaria de imediato, acabou cedendo e aceitou deixar o cargo de presidente da UMP no dia 15 de junho. Uma nova conferência será realizada no dia 12 de outubro para providenciar sua substituição.
Enquanto isso, uma direção conjunta provisória foi criada, composta por três ex-premiês: Jean-Pierre Raffarin, François Fillon e Alain Juppé. Na terça-feira à tarde, este último pediu para que "os candidatos à presidência [da UMP] se comprometessem a não se candidatar às primárias" para a eleição presidencial de 2017 e ele mesmo descartou a ideia de dirigir o partido.
"A UMP vai sobreviver. [...] O teto da casa pegou fogo, mas as fundações estão lá", garantiu Eric Ciotti, deputado da UMP em Nice, convidado pelo programa "Grand Journal" para detalhar o processo que levou ao anúncio da demissão de Jean-François Copé.
Uma "página que se vira"
Depois desses novos acontecimentos, o principal interessado foi aos estúdios do "20 Heures" do canal TF1 para defender sua versão dos fatos. Ele garantiu com firmeza: "Minha honestidade e minha integridade são totais."
O prefeito de Meaux reafirmou que não sabia nada de possíveis esquemas para acobertar os gastos excessivos da campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2012, e que havia tomado conhecimento do problema "há doze dias", lendo o "Libération".
"Na condição de presidente da UMP, é claro que tive essa responsabilidade global, mas não me furto disso. Alguns colaboradores abusaram de minha confiança. [...] É uma página que se vira, agora farei política de outra forma, mas sempre com essa mesma ideia que sempre me moveu, desde sempre, o amor pelo meu país, servindo aos franceses."
Jean-François Copé, que não está entre as personalidades preferidas dos franceses, disse: "Se o fato de eu deixar meu cargo permitir que os franceses percebam que estou muito longe das caricaturas que fizeram de mim, pelo menos isso terá servido para alguma coisa."
Uma defesa combinada
O ex-diretor adjunto da campanha presidencial de Nicolas Sarkozy, Jérôme Lavrilleux, havia reconhecido "deslizes" na segunda-feira à BFM-TV e avaliou que era preciso pedir explicações à equipe de campanha. Esta negou ter conhecimento do problema, na terça-feira (27).
Guillaume Lambert, diretor da campanha presidencial da UMP em 2012, informou que "não sabia de absolutamente nada" das faturas falsas impostas pela UMP à Bygmalion para esconder um excesso de gastos da campanha.
A mesma defesa foi apresentada pelo ex-tesoureiro da campanha de Sarkozy, Philippe Briand, que diz ter descoberto "com consternação as declarações" do advogado da Bygmalion, Patrick Maisonneuve. Ele garantiu que "nunca havia pedido para atribuir despesas em nome da UMP", antes de anunciar que ele considerava dar "uma resposta judicial" às acusações da Bygmalion.
Já Brice Hortefeux, vice-presidente da UMP, alegou à RLT que o ex-presidente da República Nicolas Sarkozy não sabia de nada, e o descreve como um homem "muito descontente em ver seu nome associado a essa intrigante notícia."
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