Não tem refresco
Dora Kramer - OESP
A oposição ainda não tem estruturada uma
linha de atuação, mas já tem clareza de que vai se manter na ofensiva.
Exatamente como faria o PT se tivesse perdido a eleição. O recolhimento a
uma posição meramente defensiva equivaleria, na avaliação de primeiro
momento, a ignorar parcela expressiva da sociedade que votou contra o
atual governo.
Ainda que não fosse tão significativa
como mostrou o resultado final, um país democrático não funciona
normalmente sem o contraponto de uma oposição consistente. A partir
desse entendimento básico é que os oposicionistas vão traçar suas
estratégias. O PSDB aguardará a volta do senador Aécio Neves depois de
um período de descanso para formalizar os planos, mas as conversas estão
em curso.
Os demais partidos que se aliaram à candidatura
tucana se movimentam cogitando a possibilidade de fusões ou formações de
blocos no Congresso para fazer frente à maioria governista que, embora
tenha sofrido baixas, ainda é muito superior. O PPS e o DEM seguem ao
lado do PSDB e o PSB, embora tenha hoje maioria de tendência
oposicionista, precisa resolver suas questões internas, pois há seções
regionais que preferem voltar à aliança com o Planalto.
Quanto
ao diálogo proposto e à mão estendida oferecida pela presidente Dilma
Rousseff em seu discurso de vitória e nas duas entrevistas dadas no dia
seguinte, são gestos percebidos como manobra para ganhar tempo e
desmobilizar a oposição, no intuito de "esfriar" o entusiasmo com o
apoio recebido na eleição. Daí a rejeição à proposta de trégua.
Essa
posição mais contundente agora tem a ver com o clima da campanha, mas
reflete também um aprendizado de grande parte do tucanato que se
encantou com Dilma logo no início do primeiro mandato em 2011 quando ela
se mostrou mais conciliadora que Lula e, por ocasião do aniversário de
80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enviou uma carta de
cumprimentos cheia de elogios pessoais e referências positivas às
realizações do governo dele.
Na época o ato foi
interpretado como a estreia de uma fase nova marcada pelo distanciamento
entre Dilma e Lula. Um engano que demorou a ser percebido. Tratava-se
apenas de uma tentativa de reconquistar parte da classe média já um
tanto farta dos arroubos do ex-presidente e de entorpecer, ainda que
temporariamente, a oposição.
Por essa e tantas outras
ocorridas na sequência, culminando com o espetáculo do rebaixamento
produzido na campanha é que a presidente esgotou seu crédito de apelar à
união e chamar o adversário para o diálogo amigável.
Marina em cena. Marina
Silva não resolveu como atuará na política daqui em diante. Vai
discutir o assunto com seu grupo ligado ao partido Rede
Sustentabilidade, ainda pendente de registro na Justiça Eleitoral, nas
próximas semanas.
De acordo com a educadora Neca Setúbal,
só uma coisa é certa: Marina não ficará fora da cena como ficou depois
da eleição de 2010, quando se recolheu até reaparecer para organizar a
Rede. A forma não está decidida, mas o conteúdo serão suas causas
conhecidas.
Será mistério? O PSDB procura
uma explicação para a derrota de Aécio Neves em Minas Gerais, onde os
tucanos acreditavam que teriam de dois a três milhões votos a mais que
Dilma Rousseff. Tiveram 500 mil a menos no segundo turno e perderam a
eleição para governador.
Talvez a razão não seja tão
misteriosa. A autoconfiança em excesso é companheira da lei do menor
esforço. Além disso, Aécio nunca se mostrou ao eleitorado mineiro como
um adversário contundente do PT. Ao contrário: Fernando Pimentel quando
prefeito foi um aliado do governador, combatido por petistas pelo
"cacoete" tucano.
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