Reinaldo Azevedo - VEJA
A
Corte de Bolonha, na Itália, negou nesta terça-feira o pedido, feito
pelo governo brasileiro, de extradição do ex-diretor de marketing do
Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de
prisão no processo do mensalão. O homem deverá ser solto ainda nesta
terça.
Nunca acreditei na extradição, como vocês sabem. Deixei isso claríssimo aqui no dia 5 de fevereiro.
O malandro tem dupla cidadania, brasileira e italiana. E ele é um
criminoso no Brasil e na Itália. Em dois países. Em dois idiomas.
Pudesse ter uma terceira, vocês já sabem… Que vocação a desse senhor,
não é mesmo?
O poeta
latino Horácio, nascido onde hoje é a Itália, país em que Pizzolato foi
preso, dizia que aquele que cruza o oceano muda de céu, mas não de
espírito. Isso quer dizer, leitor, que a pessoa sempre leva consigo
aquilo que ela essencialmente é. Pizzolato cometeu no Brasil os crimes
de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para entrar na
Itália, recorreu a documentos e passaporte falsos, usando o nome de um
irmão morto. O Brasil, que já tem movimento de sem-terra, movimento de
sem-teto, movimento do sem sei-lá-o-que, também tem o MSL: Movimento dos
Sem-Limites.
Atenção!
Ele não foi preso pelas autoridades italianas por causa dos R$ 76
milhões desviados do fundo Visanet, do Banco do Brasil, para a
sem-vergonhice mensaleira. Ele foi preso porque recorreu a documentos
falsos para entrar na Itália. Se não tivesse cometido crime nenhum
naquele país, teria continuado livre, leve e solto. Considerando a
dinheirama viva que estava com ele — 15 mil euros mais US$ 20 mil —, não
parece que estivesse passando por um aperto. Sem contar que este
valoroso senhor jamais deixou de receber a aposentadoria de R$ 25 mil
como ex-funcionário do Banco do Brasil. Isso corresponde a quase 8 mil
euros. Considerando que o salário médio na Itália está na faixa dos 900
euros, dá para levar uma vida boa.
Para ser
preso na Itália por causa do mensalão, seria preciso que a Justiça de lá
abrisse um processo e o condenasse pelos crimes cometidos aqui. A
hipótese é remotíssima. A extradição era improvável porque, afinal, ele
também era um cidadão italiano que não havia cometido crime nenhum por
lá.
Preso por
ter entrado em solo italiano com documento falso, a extradição
dificilmente seria concedida. Não foi. O governo brasileiro vai fingir
que o quer de volta e vai recorrer. Vai perder de novo. E cumpre, sim,
lembrar o caso Cesare Battisti. O Brasil se negou a extraditar o
terrorista, embora ele tivesse sido condenado na Itália pelo assassinato
de três pessoas. Será que, ao se negar a entregar Pizzolato, os
italianos estão apenas se vingando? Não! Battisti, que também entrou no
Brasil com documento falso, não tinha cidadania brasileira, e Pizzolato
tem cidadania italiana. No caso do terrorista, o Tratado de Extradição
vigente entre os dois países obrigava a entrega; no caso de Pizzolato,
não.
O governo
brasileiro chamou a prisão de Pizzolato de “operação conjunta”. Falso.
Foram os italianos que prenderam o ex-diretor de marketing do Banco do
Brasil, em razão do crime cometido na Itália.
Petistas aliviados
Os petistas respiram aliviados. A volta de Pizzolato seria como a saída de um zumbi do armário. Ele desmoraliza as versões fantasiosas que os petistas tentam consolidar sobre o mensalão. Se mensaleiros como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino fizeram suas vaquinhas indecentes para supostamente pagar multa, Pizzolato — que, na prática, era chefiado pelo trio — deixa claro que não tinha problemas financeiros. Viveu vida de rico na Europa. Comprou nada menos de três apartamentos só no litoral da Espanha — dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Por que será que seus chefes posam de coitadinhos?
Os petistas respiram aliviados. A volta de Pizzolato seria como a saída de um zumbi do armário. Ele desmoraliza as versões fantasiosas que os petistas tentam consolidar sobre o mensalão. Se mensaleiros como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino fizeram suas vaquinhas indecentes para supostamente pagar multa, Pizzolato — que, na prática, era chefiado pelo trio — deixa claro que não tinha problemas financeiros. Viveu vida de rico na Europa. Comprou nada menos de três apartamentos só no litoral da Espanha — dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Por que será que seus chefes posam de coitadinhos?
A virtude
que os petistas mais apreciam em Delúbio é a sua capacidade de aguentar
tudo calado, de não denunciar ninguém, de ser um homem do partido — é,
em suma, a encarnação cara de pau. Já deu para perceber que Pizzolato é
de outra natureza: não aguenta o tranco. Tem queixo de vidro.
Agora, vai poder ficar na Itália gozando de seu patrimônio e de sua doce aposentadoria.
Também para esse petista, o crime compensou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário