Não faltam propostas para a política econômica
Caso
Dilma, reeleita, se convença de que é grave a situação de uma economia
semiestagnada e com inflação alta, ela tem à disposição várias
alternativas de reformas
O Globo
No fictício mundo da racionalidade,
imune a ideologias, tão logo fosse constatada, por graníticas provas, a
falência da política econômica do primeiro governo Dilma, as mudanças
mais óbvias e consensuais seriam feitas, para o país e a presidente
trafegarem os próximos quatro anos sem enfrentar dificuldades hoje
previsíveis. Mas, na vida real, não costuma ser assim. Se, porém, a
recém-reeleita presidente compreender que é grave a situação de uma
economia semiestagnada em meio a uma inflação elevada, e resolver de
fato fazer aperfeiçoamentos e ajustes, propostas não faltam.
Ela
não pode é levar a sério o ministro da Fazenda, Guido Mantega — de quem,
na campanha, anunciou a demissão para 31 de dezembro, a fim de acalmar
os mercados —, quando ele diz que a vitória eleitoral reflete o apoio da
“população” à condução da economia. Esqueceu-se que a presidente perdeu
onde é gerada a maior parte do PIB brasileiro.
Entre as críticas
e sugestões publicadas, ganham realce as feitas, em entrevista ao
jornal “O Estado de S.Paulo”, por José Alexandre Scheinkman. Hoje na
Universidade de Columbia, com passagens pelas também universidades
americanas de Chicago e Princeton, da qual é professor emérito,
Scheinkman não se mantém distante do Brasil. Na campanha de 2002, chegou
a assessorar o candidato Ciro Gomes, derrotado por José Serra na
disputa para se saber quem iria decidir a eleição com Lula no segundo
turno.
Uma política fiscal mais transparente e equilibrada é
defendida por ele, como outros economistas. Como cortes de gastos são
necessários, Scheinkman defende a redução de despesas de custeio e
subsídios — estes, volumosos e nada explícitos no Orçamento. O
“desmonte” de subsídios setoriais e do controle de preços —
combustíveis, por exemplo — injeta mais eficiência na economia. Uma
diretoria “adequada” no Banco Central, afirma, evitaria, por sua vez, o
uso desse controle para debelar a inflação.
O economista a
entende que é preciso criar uma agenda para impulsionar a baixa
produtividade brasileira. Hoje, diz, comparados aos índices americanos, a
produtividade do trabalhador brasileiro está abaixo do nível de 1980.
E, para enfrentar a questão, além da Educação, requer-se uma série de
reformas microeconômicas, como a racionalização e simplificação do
sistema tributário.
Ao mesmo tempo, deve-se integrar o Brasil à
economia mundial, fazendo retroceder as reservas de mercado que têm sido
estabelecidas. O assunto remete à questão do desenvolvimento
tecnológico, em geral débil.
E quanto ao Bolsa Família, o sucesso
do programa deve ser medido pela quantidade de famílias que se tornam
independentes dele. Simples.
Nada há de pirotécnico nestas e
outras propostas do gênero para recolocar o país no prumo. Mas como
ideologias contam muito nessa hora, a racionalidade das críticas e
sugestões de mudanças ficam em segundo plano, infelizmente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário