Resultado do começo do ano mostra que esforço de ajustar contas públicas terá de ser maior; governo precisa dar mais transparência ao tema
FSP
Tornou-se mais difícil diminuir o desacerto nas contas do governo.
Conhecidos os números do primeiro trimestre, constata-se que o esforço
de conter despesas e aumentar receitas terá de ser proporcionalmente
maior no restante do ano.
Não se sabe, por exemplo, quantas obras do governo estão paradas; estimar o que será das taxas de juros e do câmbio é cada vez mais árduo; há preocupação sobre aumentos de impostos. A incerteza retarda a retomada econômica.
O governo federal enfrenta problemas para reequilibrar suas contas primárias, que não incluem as despesas com juros da dívida pública --estas, aliás, crescem de maneira exorbitante. De abril em diante, terá de fazer 92% da poupança esperada para este ano, o chamado superavit primário.
O resultado ruim na esfera federal pelo menos tem sido compensado pelo desempenho excepcional de municípios e Estados.
A despesa federal até diminuiu (0,8%), mas a receita caiu muito mais depressa (4,4%). O governo reduziu seus investimentos em quase um terço, mas praticamente todo esse esforço foi desfeito pelo aumento da conta da Previdência e de benefícios sociais.
Não se sabe em que medida os desembolsos são inflados pelo pagamento de atrasados do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT).
Espera-se que o Ministério da Fazenda explique em detalhes o crescimento do gasto a fim de que o público possa estimar melhor as necessidades do governo.
Conviria também que as autoridades expusessem logo o plano real de dispêndios e previsões de arrecadação, visto que o Orçamento é fictício. São esclarecimentos urgentes.
Caso não possa contar com recursos do pacote enviado ao Congresso, quão maior terá de ser o corte em investimentos? O que pode ser feito na área de custeio, nos gastos com funcionamento e prestações de serviços do governo, na qual as despesas ainda crescem? Quais ações devem ser adiantadas tendo em vista o ajuste ainda maior no próximo ano?
As insuficientes informações prestadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff e as indefinições do Congresso prejudicam o mero debate sobre tais questões, lançam dúvidas sobre o encaminhamento de soluções e tornam o futuro mais nebuloso --isso em um momento em que a confiança dos agentes econômicos está em patamares mínimos.
O governo deve ser transparente, e o Congresso deve demonstrar mais sentido de urgência e responsabilidade. O país precisa saber logo em que pé está e se reaprumar.
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