Javier Lafuente - El País
JUAN BARRETO/AFP
Lilian
recusa a segurança que o governo lhe oferece e pede que sejam aplicadas
as medidas cautelares a seu favor ordenadas por um tribunal
internacionalLilian Tintori, mulher do preso político venezuelano Leopoldo López, detido há quase dois anos e condenado a mais de 13 anos em setembro passado, recebeu no sábado à noite um telefonema do vice-presidente, Jorge Arreaza. Este lhe comunicou que, segundo informação da inteligência administrada pelo Executivo, Lilian está na mira de bandidos que querem atacar dirigentes da oposição. Segundo Lilian explicou em uma conversa com o "El País", Arreaza lhe disse que estavam "muito preocupados" e ofereceu a segurança de agentes do Sebin, o serviço de inteligência do governo.
"Como é que os
que me perseguiram durante meses agora vão cuidar de mim? Os agentes do
Sebin são os que me seguem, os que tiram fotos e fazem vídeos de mim."
A mulher de López recusou a oferta de Arreaza, alegando as medidas cautelares que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ordenou a seu favor há um mês e que obrigariam o governo a garantir sua segurança, mas ela mesma escolhendo quem cuidaria de sua proteção. "Meus advogados me disseram que devia exigir que cumprissem as medidas cautelares da CIDH, porque eu posso escolher a proteção, e quero que seja a polícia de Chacao (município onde Leopoldo López foi prefeito). Já falei com o prefeito e sua equipe", argumentou Lilian em sua casa, junto com Antonieta López, mãe de Leopoldo.
Arreaza, segundo a versão de Lilian, lhe pediu uma reunião no sábado, à qual ela decidiu não ir a conselho de seus advogados: "Se querem cuidar de mim, que cuidem, sabem onde eu moro. Eu não vou agora ao departamento de um Estado que quer me matar. Se eu aceitar outra segurança que não seja a das medidas cautelares, poderiam retirá-las. Não confio nas autoridades do meu país, confio na CIDH", afirma Lilian. Ela diz que insistiu com Arreaza. "Reiterei ao vice-presidente que se algo me acontecer, a Leopoldo López na prisão ou a meus filhos é responsabilidade direta de Nicolás Maduro."
O telefonema do vice-presidente venezuelano, que foi reproduzido nos sites ligados ao governo, ocorreu alguns dias depois do assassinato do dirigente de oposição Luis Díaz, durante um comício eleitoral em Guarico, no qual Lilian estava presente. O governo disse que se tratava de um acerto de contas, derivado de desavença comum, e não de violência política. "Talvez seja", admite Lilian, que no entanto afirma que Arreaza lhe disse: "Essa morte ia acontecer". "Quer dizer, se sabem que há bandos e que iam matá-lo, como é possível que não o evitem?"
O fim da tensa campanha venezuelana, que termina nesta quarta-feira foi marcado pela violência contra diversos líderes de oposição. Lilian não se candidatou a deputada, mas nas últimas cinco semanas realizou mais de 50 atos no que chamou de campanha "Pela Liberdade". Afirma que a tensão foi crescendo quanto mais se aproxima a data de 6 de dezembro, quando os venezuelanos irão às urnas para eleger os representantes de sua próxima Assembleia Nacional.
O dia mais traumático foi a última quarta-feira (25). De manhã, sempre segundo o relato de Lilian, mantiveram-na com sua equipe por três horas em Margarita e ameaçaram tirar a licença dos pilotos dos aviões que iam de Caracas para buscá-los. Depois conseguiram chegar ao Estado de Guarico, ao aeroporto de Valle de la Pascua, onde viveram momentos de tensão com simpatizantes do governo. Depois de realizar o ato previsto, voltaram aos aviões que haviam permanecido sozinhos no lugar e decolaram para outro aeroporto no mesmo Estado.
"O meu aterrissou sem problemas, mas vimos que o outro não dava a volta para dirigir-se aonde estávamos; de repente começou a sair fogo e fumaça preta. Lá estavam meu chefe de campanha, meu chefe de imprensa, um fotógrafo, Rummy Olivo (candidata a deputada), o piloto e o copiloto. O piloto nos disse que ao aterrissar seus freios não funcionaram, mas que estavam bem de manhã."
Superada essa crise, foram ao ato em que seria assassinado Luis Díaz. "Entendi a mensagem. Tudo estava contra mim. Não queriam que voássemos, danificaram nossos freios e os disparos foram uma forma de dizer: 'Cancele o giro'." Lilian decidiu suspender os atos previstos para quinta-feira, sexta-feira e sábado, "por solidariedade com o morto e pela segurança" de sua equipe.
A mulher de López reapareceu neste domingo em um ato em Caracas com o qual encerrou a campanha "Pela Liberdade". Durante mais de duas horas, dirigentes da Vontade Popular, estudantes, a mulher do prefeito de Caracas, o também preso Antonio Ledezma, a mãe de Leopoldo López e a própria Lilian tentaram transmitir uma mesma mensagem diante da escassa participação: que o medo não assuste os eleitores e que vão às urnas em 6 de dezembro.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
A mulher de López recusou a oferta de Arreaza, alegando as medidas cautelares que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ordenou a seu favor há um mês e que obrigariam o governo a garantir sua segurança, mas ela mesma escolhendo quem cuidaria de sua proteção. "Meus advogados me disseram que devia exigir que cumprissem as medidas cautelares da CIDH, porque eu posso escolher a proteção, e quero que seja a polícia de Chacao (município onde Leopoldo López foi prefeito). Já falei com o prefeito e sua equipe", argumentou Lilian em sua casa, junto com Antonieta López, mãe de Leopoldo.
Arreaza, segundo a versão de Lilian, lhe pediu uma reunião no sábado, à qual ela decidiu não ir a conselho de seus advogados: "Se querem cuidar de mim, que cuidem, sabem onde eu moro. Eu não vou agora ao departamento de um Estado que quer me matar. Se eu aceitar outra segurança que não seja a das medidas cautelares, poderiam retirá-las. Não confio nas autoridades do meu país, confio na CIDH", afirma Lilian. Ela diz que insistiu com Arreaza. "Reiterei ao vice-presidente que se algo me acontecer, a Leopoldo López na prisão ou a meus filhos é responsabilidade direta de Nicolás Maduro."
O telefonema do vice-presidente venezuelano, que foi reproduzido nos sites ligados ao governo, ocorreu alguns dias depois do assassinato do dirigente de oposição Luis Díaz, durante um comício eleitoral em Guarico, no qual Lilian estava presente. O governo disse que se tratava de um acerto de contas, derivado de desavença comum, e não de violência política. "Talvez seja", admite Lilian, que no entanto afirma que Arreaza lhe disse: "Essa morte ia acontecer". "Quer dizer, se sabem que há bandos e que iam matá-lo, como é possível que não o evitem?"
O fim da tensa campanha venezuelana, que termina nesta quarta-feira foi marcado pela violência contra diversos líderes de oposição. Lilian não se candidatou a deputada, mas nas últimas cinco semanas realizou mais de 50 atos no que chamou de campanha "Pela Liberdade". Afirma que a tensão foi crescendo quanto mais se aproxima a data de 6 de dezembro, quando os venezuelanos irão às urnas para eleger os representantes de sua próxima Assembleia Nacional.
O dia mais traumático foi a última quarta-feira (25). De manhã, sempre segundo o relato de Lilian, mantiveram-na com sua equipe por três horas em Margarita e ameaçaram tirar a licença dos pilotos dos aviões que iam de Caracas para buscá-los. Depois conseguiram chegar ao Estado de Guarico, ao aeroporto de Valle de la Pascua, onde viveram momentos de tensão com simpatizantes do governo. Depois de realizar o ato previsto, voltaram aos aviões que haviam permanecido sozinhos no lugar e decolaram para outro aeroporto no mesmo Estado.
"O meu aterrissou sem problemas, mas vimos que o outro não dava a volta para dirigir-se aonde estávamos; de repente começou a sair fogo e fumaça preta. Lá estavam meu chefe de campanha, meu chefe de imprensa, um fotógrafo, Rummy Olivo (candidata a deputada), o piloto e o copiloto. O piloto nos disse que ao aterrissar seus freios não funcionaram, mas que estavam bem de manhã."
Superada essa crise, foram ao ato em que seria assassinado Luis Díaz. "Entendi a mensagem. Tudo estava contra mim. Não queriam que voássemos, danificaram nossos freios e os disparos foram uma forma de dizer: 'Cancele o giro'." Lilian decidiu suspender os atos previstos para quinta-feira, sexta-feira e sábado, "por solidariedade com o morto e pela segurança" de sua equipe.
A mulher de López reapareceu neste domingo em um ato em Caracas com o qual encerrou a campanha "Pela Liberdade". Durante mais de duas horas, dirigentes da Vontade Popular, estudantes, a mulher do prefeito de Caracas, o também preso Antonio Ledezma, a mãe de Leopoldo López e a própria Lilian tentaram transmitir uma mesma mensagem diante da escassa participação: que o medo não assuste os eleitores e que vão às urnas em 6 de dezembro.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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