Le Monde
Alan Porrit/Efe
O primeiro-ministro conservador australiano, Tony Abbott, não pretende ceder às pressões. Alvo de críticas por seu estilo de governar, inclusive por pessoas de sua própria ala, o "monge louco" declarou, na segunda-feira (2), que não pretendia renunciar.
A imprensa australiana de fato censurou o primeiro-ministro, constantemente, após esse anúncio por acreditar que se tratava de um "símbolo não somente de outros tempos, como também de outro país" em um momento em que a aliança sistemática com o primo britânico tem sido cada vez mais questionada.
O jornal "The Sydney Morning Herad" mencionou as futuras eleições, com a opinião de que "caberia aos eleitores fazer uma escolha clara: fazer parte de uma nação que evolui democraticamente ou de uma nação que permanece presa a seu passado colonial".
Não entrou na política para ser popular
Depois dessas críticas, Tony Abbott reconheceu que ele havia "exagerado um pouco", mas disse que "não entrou na política para ser popular". "Deixem-me lhes dizer claramente, nós fomos eleitos em 2013 porque o povo australiano rejeitou o caos", ele disse. "É o povo que contrata e cabe ao povo demitir."Arriscando tudo para tranquilizar os membros do Partido Liberal e o grande público, Tony Abbott anunciou que estava abrindo mão de um plano de 5,5 bilhões de dólares australianos (quase R$12 bilhões), referente ao auxílio-parental, considerado alto demais por seus detratores e decidido sem diálogo. Ele reafirmou suas prioridades: emprego, auxílio às famílias, construção de estradas e reforço da segurança nacional.
Popularidade em baixa
A coalizão liberal nacional chegou ao poder em setembro de 2013 e, hoje, conta com 46% das intenções de voto, contra os 54% da oposição trabalhista, segundo uma pesquisa da Fairfax Ipsos, publicada na segunda-feira pelo "Sydney Morning Herald".Tony Abbott conta com 34% de avaliações positivas, contra 50% do líder trabalhista Bill Shorten, segundo essa pesquisa, realizada junto a 1.400 pessoas.
Dentre as pessoas entrevistadas na pesquisa, publicada na segunda-feira (2), menos de um terço delas acreditam que Tony Abbott levará seu partido às próximas eleições previstas para daqui a 18 meses.
Essa pesquisa foi feita após um revés eleitoral no Estado de Queensland nas eleições legislativas no sábado. Os resultados definitivos ainda não são conhecidos, mas o Partido Trabalhista parece estar prestes a infligir uma derrota à coalizão conservadora.
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