segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Kenji Goto, jornalista assassinado pelo EI, foi um 'porta-voz dos que não têm voz'
Le Monde
AP
Em mensagem na internet, Estado Islâmico diz ter executado o jornalista Kenji Goto Em mensagem na internet, Estado Islâmico diz ter executado o jornalista Kenji Goto
À indignação internacional após a execução do jornalista japonês no sábado, reivindicada pelo EI (Estado Islâmico), soma-se a unanimidade dos elogios sobre as qualidades humanas do jornalista japonês Kenji Goto, de 47 anos. Ele não era "um jornalista típico, nem um japonês típico", escreveu, no dia 27 de janeiro, Henry Tricks no blog do "CPJ" (Comitê de Proteção dos Jornalistas), enquanto ele ainda se encontrava detido pelos jihadistas.
"Sua coragem e sua devoção em relatar histórias humanas nas piores zonas de conflito o colocariam no topo de sua profissão em qualquer lugar do mundo. Foi essa coragem que o levou à Síria no ano passado, onde ele foi pego como refém", explica Tricks, que conheceu o jornalista em 2010, em Tóquio.
Nascido em 1967, Goto havia criado em 1996 uma produtora em Tóquio, a Independent Press, que fornecia reportagens sobre o Oriente Médio para canais de televisão japoneses. Fosse na zona afetada pelo tsunami, em Serra Leoa ou na Sìria, ele relatava as histórias dos mais vulneráveis, sobretudo de crianças e dos mais pobres.
Sua mulher pediu por sua libertação na quinta-feira (29), no site da organização Rory Peck Trust, que apoia jornalistas independentes. Ali, ela o descreveu como pai de duas meninas, "um homem honesto que só foi até a Síria para testemunhar a condição daqueles que estão sofrendo" e afirmou ter recebido diversos e-mails diretamente dos jihadistas.
Antes do anúncio de sua execução, seus parentes haviam criado uma página no Facebook na qual dezenas de milhares de mensagens de apoio e um grande número de comentários se acumularam, pedindo por sua libertação. Um de seus amigos, o produtor Taku Nishimae, postou uma foto sua segurando um cartaz escrito "I am Kenji".
 No domingo de manhã, depois que o EI reivindicou sua execução, uma última mensagem foi postada na página: "Estamos todos chocados, devastados e profundamente entristecidos. (...) Kenji Goto era o porta-voz dos que não têm voz, especialmente de crianças que vivem nas piores condições em lugares onde elas não deveriam estar vivendo. (...) Era um homem modesto, tranquilo, com quem todos nós podíamos aprender. Então agora todos podemos dizer 'Je suis Kenji'."

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