segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Le Pen vence na primeira eleição depois dos ataques em Paris
Carlos Yárnoz - El País 
14.jul.2012 - Bertrand Langlois/AFPPartido de Le Pen venceu a primeira eleição na França após os atentados no país Partido de Le Pen venceu a primeira eleição na França após os atentados no país
A preocupante ascensão da extrema-direita na França atingiu outra meta simbólica ao ser a força mais votada, neste domingo (1), no departamento de Doubs, nordeste do país, onde se elege o deputado que substituirá o socialista Pierre Moscovici, comissário europeu desde novembro. A votação era especialmente significativa por ser a primeira depois dos atentados jihadistas que puseram à prova a cidadania e seus líderes políticos.
No primeiro turno destas eleições parciais, a FN (Frente Nacional) conseguiu 32,6% dos votos, seguida pelo Partido Socialista (28,5%) e pela UMP (União por um Movimento Popular) e seus 26,5%.
A baixa participação --apenas 40% dos 66.825 eleitores-- e a dispersão de apoios à esquerda --apresentaram-se cinco candidatos de diversas formações-- prejudicaram as aspirações do candidato socialista.
A candidata de extrema-direita é a eurodeputada Sophie Montel, 45, cujo pai deu de presente, em seu 18º aniversário, a carteirinha da Frente Nacional. Ela passou toda a sua campanha criticando "a imigração maciça" e "o perigo islâmico". "Deter totalmente a imigração legal e clandestina" e "rejeitar o direito de voto dos estrangeiros" são dois de seus lemas nos cartazes eleitorais.
Tanto o candidato socialista, Frédéric Barbier, 54 --que é muito próximo de Moscovici-- como o da UMP, Charles Demouge, um professor de matemática de 69 anos, basearam suas estratégias em frear a extrema-direita. "Não à candidata da FN, que tem um programa irrealizável", afirmou Demouge. "Não a uma FN demagoga, com soluções perigosas para a coesão social", acrescentava o socialista. A esquerda (comunistas, radicais ou verdes) apresentava cinco candidatos, o que originou uma dispersão de votos, enquanto a direita e o centro apresentavam um único aspirante, assim como a extrema-direita.

Polêmica

Os três partidos que hoje protagonizam a vida política francesa deram inusitada importância a esta eleição parcial na quarta circunscrição do citado departamento, econômica e laboralmente dependente das fábricas Peugeot na região. Participaram diretamente da campanha o primeiro-ministro Manuel Valls e a líder da FN, Marine Le Pen.
Para os socialistas, tratava-se de inverter a tendência. Nas três eleições parciais realizadas desde sua vitória nas legislativas de 2012, já perderam quatro assentos e não ganharam em nenhuma das consultas. Na metade das ocasiões, seus candidatos nem sequer puderam passar ao segundo turno. E também sofreram duros reveses nas municipais de março de 2014 e nas europeias desse ano.
Agora, confiavam em beneficiar-se do importante aumento de apoio popular que Valls e o presidente François Hollande receberam por sua gestão depois dos ataques terroristas. "Confiem na França do 11 de janeiro [dia da grande manifestação antiterror]. É preciso votar para defender os valores da República", havia dito Valls em seu comício no último dia 27.
De fato, os socialistas conseguiram resultados muito superiores aos esperados. Seu candidato passará ao segundo turno para enfrentar a da extrema-direita no próximo domingo. Muito provavelmente, contará com apoios da centro-direita para impedir a vitória definitiva da extrema-direita. Caso contrário, a FN terá um terceiro deputado na Assembleia Nacional.
A FN também tentava reverter uma situação negativa. Quase sete em cada dez franceses, segundo as pesquisas, criticaram a decisão de Le Pen de não participar da grande manifestação antiterrorismo em Paris. Mesmo assim, outra pesquisa da Ifop e CSA, nesta semana, indica que a FN seria o partido mais votado, com cerca de 30% dos votos, se as presidenciais fossem realizadas agora.
Para a UMP, esta eleição parcial também se revestiu de especial importância por ser a primeira com a nova equipe formada por Nicolas Sarkozy à frente do partido desde novembro e com o grande objetivo de "reconquistar" o poder perdido em 2012. A prova terminou com um claro fracasso.
O que ocorreu agora em Doubs também é representativo da tendência que a França tomou nos últimos anos. O departamento foi um feudo tradicional da esquerda, mas nas eleições europeias do ano passado a extrema-direita, então a força mais votada na França, conseguiu 36% dos votos, 11 pontos acima da média nacional.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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