Restaurantes em Portugal fecham as portas
Jornal da Tarde
A última coisa que os portugueses deixariam de lado é uma refeição em um dos 90 mil restaurantes do país onde podem desfrutar de especialidades como leitão ou bacalhoada.
Isso pode mudar com Portugal afundado em sua pior recessão desde os anos 70. O país está arcando com duras medidas de austeridade impostas por um resgate de 78 bilhões de euros da União Europeia e do FMI.
Os portugueses agora adotam medidas nunca imaginadas, como pular os tradicionais almoços familiares em restaurantes nos finais de semana e comer sanduíches em suas mesas no escritório, sem desfrutar de refeições completas acompanhadas de vinho.
“Nunca vi nada tão ruim nos 18 anos em que estou aqui”, disse Rogério Oliveira, cujo restaurante O Pote, da cidade Arruda dos Vinhos, tinha fregueses em apenas duas mesas no horário de almoço de um sábado.
Considerando que restaurantes, cafeterias, bares e padarias, juntos, representam a quarta maior fonte de empregos de Portugal, os problemas nesta área implicam um risco significativo. Os estabelecimentos representam 7 bilhões de euros em vendas por ano, ou 4 % do PIB.
Isso não impediu o governo de aumentar este mês o imposto agregado sobre restaurantes de 13% para 23%. “Muitos estabelecimentos já estão sufocando ou tecnicamente falidos. Será a gota d’água que os tirará do negócio”, disse Ana Jacinto, vice-secretária-geral da AHRESP, grupo lobista que representa o setor.
Ela advertiu que 21 mil restaurantes podem ser obrigados a fechar as portas, deixando 45 mil pessoas desempregadas. Cerca de 350 mil trabalham na área.
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