Berlim e Bruxelas exigem mais de Londres e Paris
Londres precisa se mostrar mais disposta a fazer concessões e Paris precisa aderir ao movimento de reforma econômica. Ao menos é o que importantes políticos europeus e alemães estão exigindo à medida que as duras negociações do orçamento da União Europeia (UE) se aproximam. Duas das vozes mais influentes agora criticam o Reino Unido e a França.
A Comissão Europeia e importantes políticos alemães estão ficando cada vez mais irritados tanto com a França quanto com o Reino Unido, à medida que a cúpula em Bruxelas para determinar o orçamento da União Europeia pelo período de sete anos, de 2014 a 2020, se aproxima.
Ambos os países insistem em que as coisas sejam feitas ao seu modo à medida que os países membros se posicionam para negociações que prometem ser difíceis –e tanto Londres quanto Paris ameaçaram vetar o orçamento se ele não atender suas expectativas. Em resposta, o comissário europeu de energia, Günther Oettinger, o representante da Alemanha no Executivo da UE, criticou duramente os dois países.
Em um discurso para a associação alemã que representa os editores de revistas do país, Oettinger alertou contra o “populismo barato” na cobertura da Grécia pela imprensa, antes de dizer que “meus garotos-problema são a França e o Reino Unido”. Ao se explicar, ele disse que com sua posição anti-UE, Londres “deixou seu bom senso de lado”. Ele acrescentou que tabloides como “The Sun” parecem tentar forçar a saída do Reino Unido da UE. Ao falar da França, ele disse que o país carece de indústrias e inovação.
Os comentários de Oettinger foram repetidos na sexta-feira (2) por uma pessoa próxima da chanceler alemã Angela Merkel, em uma entrevista para a “Spiegel Online”. Volker Kauder, o chefe dos conservadores de Merkel no Parlamento, disse que “a Europa não progredirá sem o funcionamento do eixo franco-alemão”.
Kauder criticou a liderança socialista da França, dizendo que “nós só podemos esperar que o presidente François Hollande se aproxime mais da chanceler” no combate à crise do euro. Ele acrescentou: “Seria bom se os socialistas dali promovessem reformas estruturais reais e corajosas. Isso faria bem para o país e faria bem para a Europa”.
‘Preparo para fazer concessões’
O parlamentar alemão foi ainda mais firme a respeito de Londres. “Eu quero que a Europa permaneça unida”, ele disse. “O Reino Unido não pode exigir constantemente tratamento especial; ele também precisa se preparar para fazer concessões.”
Os dois políticos são apenas os mais recentes a expressarem frustração com as manobras políticas que até o momento definiram as negociações preliminares do orçamento da UE. O Parlamento britânico aprovou recentemente uma resolução não vinculante exigindo cortes substanciais no orçamento de 1 trilhão de euros proposto recentemente pela Comissão Europeia. A votação favorável incluiu vários legisladores do partido de David Cameron, que quebraram fileiras para forçar o primeiro-ministro britânico a assumir uma posição sem concessões na futura cúpula, marcada para 22 de novembro.
Cameron disse aos parlamentares que buscaria, no mínimo, um congelamento orçamentário. “Eu estou pronto para fazer uso do veto se não conseguirmos um acordo que seja bom para o Reino Unido”, ele disse. Mas um congelamento, mesmo que corrigido pela inflação, é basicamente o que a Comissão propôs. O Parlamento britânico deseja cortes de até 20%. Na semana passada, o comissário europeu para Programação Financeira e Orçamento, Janusz Lewandowski, disse, em referência a Londres, “ou eles veem seu futuro na União Europeia a longo prazo ou não”.
A França, por sua vez, ameaçou vetar o orçamento se ele não incluir a manutenção dos generosos subsídios agrícolas. Na semana passada, Merkel –que também gostaria de ver o orçamento reduzido, apesar de não no mesmo percentual proposto pelo Reino Unido– pediu aos líderes para evitarem a retórica inflamatória. “Eu não quero adicionar mais vetos à sala”, ela disse. “Isso não ajuda a encontrar uma solução.”
Mesmo assim, apesar de todos os recentes apelos por um acordo vindo de Berlim e Bruxelas, não há sinais de que Cameron esteja preparado para recuar. Em um jantar com Merkel em Londres, na noite de quarta-feira (7), os dois fizeram pouco progresso na conciliação de suas posições. Na semana que vem, o primeiro-ministro britânico planeja voar para Roma para se encontrar com o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, para tratar do futuro confronto em torno do orçamento.
E se Cameron no final se recusar a ceder, parece certo que ele contará com o apoio da maioria dos britânicos. Segundo um novo levantamento publicado pelo grupo de pesquisa de opinião pública YouGov, na sexta-feira (2), aproximadamente 49% dos cidadãos britânicos votariam a favor da saída de seu país da UE se um referendo fosse realizado. Apenas 28% votariam pela permanência. Na Alemanha, os números são inversos, com 57% a favor da permanência e apenas 25% apoiando uma saída.
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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