sábado, 15 de dezembro de 2012

Em meio a desemprego, jovens franceses perdem a esperança diante das perspectivas reduzidas
Julia Amalia Heyer - Der Spiegel
Como acontece em outras economias europeias em dificuldades, os jovens da França enfrentam duras perspectivas. Cerca de 26% estão desempregados e quase o mesmo número vive na pobreza. Apesar do problema existir há décadas, programas políticos ambiciosos pouco ajudaram.
Ele gostaria de ir a Paris mais frequentemente, mas o bilhete custa $ 6,40 (em torno de R$ 16), e isso, em geral, é demais para ele. Kafui Affram só consegue fazer a viagem duas vezes por mês, diz. Apenas 11 estações separam Lieusaint Moissy de Paris Châtelet. É uma viagem de 40 minutos entre dois mundos, de uma "banlieue", ou subúrbio de baixa renda, até o centro da cidade.
Affram não se sente em casa em nenhum dos dois ambientes, nem no subúrbio, onde ele ainda mora no quarto de sua infância na pequena casa dos pais, apesar de ter 22 anos, e nem em Paris, onde gostaria de visitar uma atual exibição do artista surrealista espanhol Salvador Dali. Isso, claro, se tivesse dinheiro. Filho de imigrantes de Gana, ele nasceu e foi criado na França. Ele não se sente revoltado com a situação, apenas "jovem e cansado", diz ele. "Sei que deveria ser otimista e ter objetivos, mas, na maior parte, tudo é desanimador".
Além da economia frágil da França, há outro dado estatístico desastroso. Cerca de 23% dos jovens entre 18 e 24 anos vivem na pobreza, de acordo com um estudo do Instituto Nacional de Educação Jovem e Comunitária (Injep). São principalmente pessoas que não terminaram os estudos, que têm pouco ou nenhum acesso ao atendimento médico e chances limitadas de melhorar sua situação.
Affram não conseguiu passar em seus exames de qualificação para a universidade, e por fim pegou um empréstimo para garantir o ingresso em uma faculdade privada de artes. Ele terminou a graduação em design, mas só trabalhou no campo por dois meses.
Décadas de desespero
O Estado francês categorizou a circunstância de Affram como "muito precária". Isso dá a ele o direito à assistência do governo para encontrar seu lugar na sociedade francesa. Três vezes por semana, ele visita a Mission Locale, uma espécie de agência de bem estar social com consultoria vocacional para jovens desempregados. Ali, ele se encontra com um consultor que tenta ajudá-lo a reconciliar seus sonhos com a realidade.
O desemprego entre jovens na França tem sido alto há algum tempo, mas agora subiu para 26%. Há décadas que os legisladores de todas as afiliações políticas vêm prometendo criar uma situação melhor para os jovens. Mas exatamente o oposto ocorreu. As leis trabalhistas protegem os que já têm empregos estáveis, enquanto a crise econômica e a recessão limitaram o número de novos empregos. Enquanto isso, a moradia se tornou mais escassa e mais cara.
"Algo finalmente tem que ser feito", diz Didier Dugast, diretor da Mission Locale em Moissy, que relata que o número dos que buscam sua assistência vêm saltando em 10% a cada ano.
Um novo programa do presidente socialista François Hollande para a criação de "futuros empregos" está em vigor desde novembro. Ele tem como alvo pessoas como Affram. Este, porém, dá de ombros e diz: "Estamos acostumados com os políticos sempre aparecendo com novas ideias".
Tradutor: Deborah Weinberg

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