Reinaldo Azevedo - VEJA
O
senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice na chapa de
Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu a eleição por menos de 4 pontos
percentuais, fez nesta terça um duro discurso no Senado, no mesmo dia em
que a presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao SBT, afirmou, como se
noticia aqui e ali, que “aceita” dialogar com Aécio e Marina Silva.
Aliás, só falou porque indagada a respeito — uma questão, convenham,
extemporânea e não sei se surgida no curso da conversa ou combinada na
coxia. Dialogar sobre o quê? É a não-notícia. Que resposta ela daria?
Que não aceita? Que não quer papo? Isso não tem a menor importância. Num
outro canto, nos corredores do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o maior
coronel do Brasil, já anunciava a sua intenção de disputar a eleição
presidencial em 2018. Então vamos pôr os pingos nos is.
Em
primeiro lugar, setores da imprensa se corrijam. Quem pode ou não
aceitar o diálogo são Aécio e Marina, não Dilma. Como ela é a presidente
da República, o máximo que pode fazer é convidar para uma conversa.
Mas, antes, é preciso ter um assunto. Aloysio disse que não aceita.
Espero que não mesmo. Nem ele nem os outros oposicionistas. É o que eu
faria no lugar dele e deles. O senador evocou a sujeira da campanha e
afirmou: “Eu fui pessoalmente agredido por canalhas escondidos nas redes
sociais a serviço do PT, de uma candidatura. Não faço acordo. Não quero
ser sócio de um governo falido nem cúmplice de um governo corrupto”.
Perfeito! Disse mais: “Eles transformaram as redes sociais em um esgoto
fedorento para destruir adversários. Foi isso que fizeram. Não diga a
candidata Dilma que não sabia o que estava acontecendo. Todo mundo
percebia as insinuações que fazia nos debates”. Fato.
Mais: o
senador poderia ter citado ainda os blogs, sites, revistas e afins que
são alugados para atacar a imprensa independente, jornalistas
considerados incômodos — cujas cabeças eles pedem com a desenvoltura do
Estado Islâmico — e os setores do Judiciário que não se subordinam a
seus interesses. Dialogar como?
Nas
entrevistas concedidas ao Jornal da Record, na segunda, e, ontem, ao
Jornal da Band e ao Jornal do SBT, já demonstrei aqui, Dilma voltou a
atacar o governo de São Paulo, falando barbaridades sobre a crise
hídrica no Estado. Dilma está interessada em disputar o quarto turno em
São Paulo. Abusa da sua condição de presidente para conceder entrevistas
sem ser contraditada e falar o que lhe dá na telha.
A
presidente diz querer dialogar, mas comparece ao debate com uma conversa
marota sobre reforma política, que seria conduzida por meio de
plebiscito, o que só beneficiaria o seu partido, o PT. Prega a distensão
com uma das mãos, agride o principal governo de oposição do país com
outra, enquanto o Babalorixá de Banânia, Lula, já se apresenta para a
disputa em 2018.
Dialogar
sobre o quê e pra quê? O senador Aloysio está certo. Estamos falando com
um governo que não respeita, como resta comprovado, nem mesmo a
liberdade de imprensa. Os brucutus que foram atacar a revista VEJA, numa
agressão explícita à Constituição e ao Código Penal, obedeciam, também
eles, a um comando informal — ainda que não explícito. Foi a cúpula do
PT, Dilma inclusive, que excitou a fúria da canalha.
Dilma não
quer dialogar coisa nenhuma! Ela e seu partido pretendem, como sempre,
aniquilar a oposição e as vozes discordantes. Se, no meio do caminho,
conseguir enterrar qualquer investigação, a exemplo do que o PT faz no
Congresso, tanto melhor. A propósito: ela já é presidente da República.
Se pretende, mesmo, acabar com a corrupção, como diz em entrevistas,
comece por demitir desde já os diretores da estatal indicados por
partidos políticos.
Isso tudo é
firula. Aliás, os respectivos conteúdos das entrevistas concedidas à
Globo, à Band e ao SBT são praticamente os mesmos. Pouco variaram
perguntas e respostas. É um tanto vexaminoso para todos. A exceção
virtuosa foi Adriana Araújo, do Jornal da Record. Não por acaso, foi a
única jornalista que teve direito ao mau humor presidencial. Dilma
repetiu até as mesmas palavras, treinadas com João Santana, como o
famoso clichê “Não vai sobrar pedra sobre pedra, doa a quem doer” (ao se
referir à corrupção na Petrobras). Ah, sim: ao SBT, ela afirmou que
topa a reforma por referendo mesmo. Que remédio? Por plebiscito, já
estava claro que o PMDB e a maioria dos partidos não aceitaria. Ainda
bem.
Se Dilma gosta de clichês, lá vai um: na conversa entre a corda e o pescoço, só a primeira tem a ganhar.
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