Se isso é algo tão ruim, por que um Governo que tenta a reeleição
nesse exato momento produziria um fato político grave contra ele mesmo?
Aqui resta claro o compromisso de curto prazo do atual grupo político
dirigente do Brasil. O gasto público excessivo aumenta a quantidade de
dinheiro em circulação nesse momento, gerando obras públicas, benefícios
e outros favorecimentos pessoais para grupos específicos de interesse,
inclusive criando uma falsa sensação de riqueza social. Os efeitos
deletérios desse gasto, que são a dilapidação da poupança nacional, a
falta de recursos para investimento de longo prazo e o endividamento
público normalmente só são sentidos em longo prazo. O desespero da
reeleição cria uma ânsia por um aumento dos gastos e das satisfações
populares e das elites.A grande curiosidade aqui é que esse efeito já não é uma novidade. Pelo menos desde 2008 já se vê essa prática de gastos alucinados para fins eleitoreiros, jogando-se a conta pro futuro. Só que o futuro de 2008 já chegou em 2014, motivo pelo qual os resultados macroeconômicos estão pífios. Recessão técnica, déficit nominal rotineiro, terceiro maior déficit externo do mundo, dilapidação das reservas monetárias, inflação e disparada do valor das moedas estrangeiras são todos os sintomas dessa rotina político-administrativa, da qual o próximo Governo, seja qual for, não conseguirá escapar de enfrentar.
Resta agora sabermos em quem o eleitor nacional vai confiar para enfrentar os efeitos da política de gastança eleitoreira: se nos mesmos gastadores que criaram o problema, ou se em novos grupos políticos.
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