Elizabeth Olson - NYT
James Estrin/NYT
Wang trabalha em Manhattan como tutor para o exame de admissão em faculdadeJonathan Wang não exerceu o Direito desde que se formou na universidade Columbia em 2010. Mas não foi isso que ele tinha planejado. Quando entrou no curso, a economia estava próspera, e ele tinha todos os motivos para acreditar que, com um diploma de prestígio, estaria no caminho para uma carreira segura e bem remunerada. Ele convenceu seus pais, que trabalham no Vale do Silício, de que tinha um plano. "Vou passar três anos na faculdade, em Nova York; depois, trabalhar para uma firma de advocacia grande e ganhar US$ 160 mil por ano", disse Wang, 29. "E um dia, vou virar sócio e levar uma vida boa."
Para pagar as contas, os graduados em 2010 assumiram trabalhos variados, alguns que não necessitam de aprovação no exame da Ordem dos Advogados; outros começaram, por conta própria, abrindo escritórios. A maioria dos graduados tem uma dívida estudantil considerável.
Poucas ofertas
Embora a matrícula nos cursos de direito tenha atingido um pico em 2010 – chegando a 52.488, de acordo com dados da American Bar Association [a Ordem dos Advogados dos EUA] – os alunos formados não estavam recebendo ofertas de trabalho das empresas em que estagiaram. E as ofertas para alguns alunos foram rescindidas."Eu não enxergava nada disso", disse Wang, "mas começou a ficar óbvio no momento em que os estágios de verão para o segundo ano acabaram. Sabíamos que as coisas estavam deprimidas, mas daí nos puxaram o tapete."
Após o colapso econômico no segundo semestre de 2008, as empresas começaram a cortar os gastos jurídicos, e os escritórios de advocacia, por sua vez, começaram a reduzir a contratação e até mesmo a demitir funcionários.
A profissão de advogado estava passando pelo início da onda de turbulência que deixou os formandos dos anos seguintes diante de um mercado de trabalho ainda mais duro e que tem mostrado poucos sinais de uma recuperação sólida. Mas a turma de 2010 foi a primeira a experimentar isso com força total.
Na época, os juristas previam que, quando a economia se recuperasse, os recém-formados encontrariam emprego. Mas as saídas profissionais diversificadas para os formandos de Direito de 2010 poderiam ser previstas por seus números iniciais de emprego, disse Deborah J. Merritt, professora de direito no Moritz College of Law da Universidade Estadual de Ohio. Ela escreveu: "o que aconteceu com a turma de 2010? Evidências empíricas da mudança estrutural na profissão de advogado", um estudo publicado em março, que examinou as carreiras dos graduados e o mercado de trabalho do Direito.
Merritt combinou dados públicos: entre eles, registros de tribunal, e os empregos em que foram parar mais de 1.200 advogados que receberam o diploma de direito em 2010 e, em seguida, passaram no exame da Ordem em Ohio, com informações da Associação Nacional de Empregos em Direito, registrados para as turmas do mesmo ano em âmbito nacional. Ela concluiu que a turma de 2010 não se recuperou nos anos seguintes. "O emprego melhorou apenas marginalmente para a classe", disse ela, "com o desemprego a 6%, há muito menos advogados trabalhando em escritórios de advocacia e houve um salto no percentual de escritórios individuais.
"Estes resultados contrastam de forma notável com os da turma de formandos de 2000, que também foi afetada por uma recessão econômica, mas que depois foi capaz de melhorar sua posição [no mercado]", disse ela. "Mas esse tipo de progresso não ocorreu para a turma de 2010."
Baixa remuneração
Uma vez que os escritórios de advocacia estão cortando gastos, a maioria das vagas disponíveis "está dentro das categorias de menor remuneração: escritórios individuais, firmas pequenas, trabalhos para o governo e em empresas que não exigem admissão na Ordem."E estes podem ser os sortudos, de acordo com alguns formandos de 2010 que disseram estar "tão envergonhados por não terem encontrado um emprego de advogado" que não permitiram que seus nomes fossem mencionados. Um graduado em Direito que não quis chamar atenção para o fato de não ter um emprego permanente, disse estar "fazendo trabalhos jurídicos temporários de rotina para pagar o aluguel". "Não me atrevo a colocar isso no currículo porque é uma coisa que imediatamente tira o seu prestígio e reduz a empregabilidade", acrescentou.
Outros, como G. Troy Pickett, 44 anos, de Houston, que trabalhou como atendente de bar em Austin antes de voltar para a faculdade com a intenção de se tornar um advogado de fusões e aquisições para uma firma grande, optaram por abrir seus próprios escritórios. "Comecei a perceber que eu tinha sonhado muito alto, mas continuei pensando que, se eu pudesse passar pela porta, eu poderia conseguir", disse ele sobre sua decisão de frequentar a Faculdade de Direito do Sul do Texas, em Houston.
Então, ele viu que menos empresas estavam recrutando no campus e as ofertas de emprego foram evaporando. "Foi um duplo azar. Nossa turma também estava competindo com associados de terceiro e quarto anos que tinham sido demitidos", disse ele. Ele fez o exame da Ordem do Texas seis meses mais cedo, enquanto ainda estava na faculdade, para economizar tempo e dinheiro. No mesmo dia em que foi aprovado, em junho de 2010, ele e um colega montaram um escritório de advocacia, que lida com questões de direito familiar, como divórcios e custódia de filhos.
Outro graduado em 2010, Hyatt Shirkey, 30, que se formou em maio 2010 pela escola de Direito do Estado de Ohio, mudou-se para a Virgínia, onde passou no exame da Ordem no julho seguinte, e decidiu abrir seu próprio escritório depois de tentar conciliar vários empregos. "Quando comecei a faculdade de Direito, ainda era uma época boa", disse ele. "Tive algumas boas experiências, entre elas trabalhar para um juiz federal em Columbus, Ohio. Depois, no fim do meu segundo ano na faculdade, vi que as ofertas de firmas de advocacia estavam recuando."
"Havia um excesso de pessoas no mercado de trabalho, e o único emprego que eu consegui encontrar não precisava de uma licença de Direito", acrescentou o Shirkey, que primeiro coordenou o programa de estudos paralegais em uma faculdade particular em Roanoke, Virgínia. Ele acabou encontrando trabalho na defensoria pública de Roanoke, mas manteve seu emprego no programa paralegal e um outro como atendente em um restaurante Cracker Barrel.
Dívidas
Desde então, ele encontrou um emprego para dar aulas sobre direito contratual em uma faculdade comunitária local e abriu um escritório individual de defesa criminal para "ganhar experiência e reputação" para poder se qualificar para uma vaga na procuradoria-geral dos EUA. Por enquanto, ele recebe casos que o defensor público não pode assumir, mas disse que ter seu próprio escritório é algo financeiramente instável. E, como mais de 80% dos formados em Direito, ele tem uma dívida estudantil considerável.Ao todo, cerca de 85% dos formados em Direito tomaram empréstimos estudantis, de acordo com o site Law School Transparency, e os formandos de 2010 acumularam uma dívida média de US$ 77.364 nas faculdades públicas de Direito, e US$ 112.007 nas particulares.
Muitos receberam adiamentos por dificuldades financeiras ou, como Shirkey, que acumulou US$ 328 mil em dívida estudantil, incluindo alguns empréstimos para a graduação, recebeu créditos por realizar trabalho de interesse público. As regras do governo federal, revistas no ano passado, permitem que os estudantes mutuários que trabalham em empregos nos setores público e sem fins lucrativos tenham suas dívidas perdoadas após 10 anos e paguem seus empréstimos escolares com base em suas receitas e despesas.
"Do contrário, eu estaria numa situação muito, muito, difícil", disse Shirkey. "Eu imagino que vou acabar trabalhando para o governo ou para uma organização sem fins lucrativos, porque eu vou precisar dos créditos para resolver meu empréstimo. Toda vez que olho para o montante da dívida, meu coração bate mais rápido", disse ele.
"Mercado horrível"
Depois que se formou, Wang teve uma bolsa de um ano com um juiz estadual, mas quando ela terminou, em 2011, o "mercado ainda estava horrível", disse ele. Depois que foi admitido pela Ordem dos Advogados do Estado de Nova York, ele passou a fazer tutoria e aconselhamento na faculdade de Direito para pagar o aluguel e empréstimos."Eu achei que o trabalho de tutoria seria uma coisa temporária, mas, depois de cinco anos e uma renovação do exame da Ordem, aqui estou eu", disse ele. Sua empresa cresceu muito e ele ganha mais de US$ 100 por hora, mas está bem abaixo do que ele ganharia numa firma de advocacia. "Eu hesito muito, mas ainda tenho em mente que preciso encontrar um emprego de verdade", disse ele.
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