quinta-feira, 26 de junho de 2014

Bilionário chinês gasta equivalente a R$ 2 milhões em almoço para pobres em Nova York 
Chen Guangbiao, o excêntrico filantropo, pagará quatro refeições no Central Park em Nova York   
Macarena Vidal Liy - El País
AFP Photo
Bilionário chinês Chen Guangbiao, conhecido por suas doações excêntricas, convidou mil pobres para um almoço em Nova York (EUA) Bilionário chinês Chen Guangbiao, conhecido por suas doações excêntricas, convidou mil pobres para um almoço em Nova York (EUA)
O bilionário chinês Chen Guangbiao é tão conhecido em seu país por sua fortuna e seus atos filantrópicos quanto por seu desejo de autopromoção. Ele se descreve em seu cartão de visita como "a pessoa mais influente da China" e volta a ocupar as manchetes ao prometer que convidará para almoçar nesta quarta-feira (25), no Central Park, em Nova York (EUA), mil pobres, cada um dos quais receberá US$ 300 (R$ 660).
Chen publicou sua oferta em um anúncio em inglês e em mandarim no "The New York Times", jornal que ele afirmou que tentaria comprar, no início deste ano, apesar da negativa de seus proprietários. Os interessados em participar de um dos quatro almoços no restaurante Boathouse deveriam se inscrever em um endereço de correio eletrônico.
Segundo ele afirmou ao "South China Morning Post", trata-se de "difundir nos EUA a ideia de que há bons filantropos na China e nem todos gastam loucamente em luxo". O empresário calcula que a iniciativa custará cerca de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões) e espera que quem receber dinheiro em espécie o empregue em educação.
Um orçamento mais que acessível para seu bolso: a consultoria chinesa Hurun Report calcula sua fortuna em mais de R$ 1,8 bilhão, muito distante da pobreza de seus primeiros anos. Nascido em 1968 em uma família de agricultores na província de Jiangsu, Chen viu dois de seus irmãos morrerem de fome durante a infância.
Formou-se em medicina tradicional chinesa e começou a trabalhar em empresas de equipamento médico, de onde deu o salto para fundar a empresa que o tornou rico, a Huangpu Recursos Renováveis Ltda., especializada em reciclagem de dejetos domésticos e material de construção.
Saltou para a fama como filantropo durante o terremoto de Sichuan em 2008, que causou quase 70 mil mortes. Chen recuperou cerca de 200 cadáveres, segundo afirma. Doou também maquinário para a reconstrução e dinheiro em espécie para as vítimas. Seus esforços fizeram com que a revista "Forbes" o incluísse entre os filantropos mais destacados da Ásia naquele ano.
Desde então, os atos filantrópicos desse milionário que prometeu deixar sua fortuna para a caridade tornaram-se mais extravagantes. Desde a distribuição de carros chineses para os que tiveram seus veículos japoneses destruídos durante os protestos antinipônicos há dois anos na China até dar dezenas de milhares de dólares a cidadãos de Taiwan. Há dois anos, quis chamar a atenção para a poluição ambiental que sofre a China vendendo ar puro enlatado. Por 5 iuanes (cerca de R$ 2), os compradores podiam desfrutar de uma lufada de "ar puro do Tibete" ou da "Taiwan pós-industrial".
Ele descreve isso como filantropia chamativa, mas outros a consideram atos vulgares de autopromoção, embora sempre controlada por ele: Chen não respondeu a nenhuma das diversas tentativas de entrevista deste jornal.
Que gosta de publicidade, está claro. E que a modéstia não é um de seus fortes também. No cartão que costuma entregar à imprensa ocidental estão, além de sua foto e seus dados de contato, títulos como "Pessoa mais influente da China", "Filantropo mais proeminente da China", "Líder moral da China" e "Modelo a imitar mais conhecido e amado da China".
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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