Le Monde
Verbas públicas foram usadas para adquirir vinhedos na França e custear suntuosas viagens de lazer para Las Vegas e para a Europa, denunciou na quarta-feira (25) a Agência Nacional de Auditoria da China, o tribunal de contas chinês.
O relatório da instituição para o ano de 2013 detalha de forma minuciosa os diversos abusos detectados dentro das administrações, enquanto continua a campanha anticorrupção, bastante midiatizada, lançada por Hu Jintao quando este era presidente (2003-2013). A campanha foi retomada por seu sucessor, Xi Jinping, que fez dela um eixo importante de sua política.
Assim, a Agência relatou 314 casos suspeitos de "grandes violações da lei e da disciplina" envolvendo mais de 1.100 pessoas e que agora são alvo de investigações aprofundadas.
Um dos casos divulgados na quarta-feira envolve duas empresas da metrópole portuária de Dalian (nordeste), às quais as autoridades locais haviam confiado 268 milhões de yuans (R$ 96 milhões) em verbas públicas para adquirir tecnologia estrangeira… sendo que, na verdade, elas usaram essa fortuna para comprar 14 vinhedos na França
Um desses grupos identificados pelo relatório, o Haichang, um conglomerado privado cujas atividades vão desde o transporte marítimo até o setor imobiliário, passando pelos hidrocarbonetos, é um dos maiores proprietários chineses de vinhedos na região do Bordelais, onde o grupo comprou o domínio de Chenu-Lafitte.
Em um relatório publicado no ano passado, a Tracfin, unidade francesa de combate à lavagem de dinheiro, havia alertado contra os riscos associados às compras de vinhedos por investidores russos ou chineses, com fundos de origem duvidosa e esquemas jurídicos complexos.
Viagens de oficiais bancadas pelo Estado
Além disso, membros do departamento de geologia nacional chinês passaram três dias, em janeiro de 2013, na cidade norte-americana de Las Vegas, conhecida por seus cassinos, como parte de uma viagem paga pelo governo. Eles alegam terem feito, em seguida, estudos sobre o gás de xisto no Canadá.Da mesma forma, uma viagem de "oficiais de alto escalão" organizada em 2012 pela Agência Oceânica do Estado deveria levá-los até uma estação chinesa da Antártida: os sortudos contemplados, na verdade, partiram para a França e para o Chile às custas do Estado.
Em outros casos, somas consideráveis de dinheiro público foram perdidas ou desperdiçadas em razão de uma gestão ineficiente, mas também por ações evidentes de corrupção, segundo o relatório.
Diretores da gigante petroleira pública CNPC estão sendo acusados pela agência de auditoria de "conluio com firmas privadas ou indivíduos, visando obter lucros pessoais", através de acordos financeiros realizados em detrimento de "interesses do Estado".
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