quinta-feira, 26 de junho de 2014

Le Pen fracassa e fica sem grupo próprio no Parlamento europeu 
Suspeita de antissemitismo frustra aliança com holandês Wilders 
Lucía Abellán - El País
Bertrand Langlois/AFP
Marine Le Pen, do partido de extrema direita francês Frente Nacional, discursa para militantes em Paris Marine Le Pen, do partido de extrema direita francês Frente Nacional, discursa para militantes em Paris
Uma das grandes vencedoras das eleições europeias, a extremista de direita francesa Marine Le Pen fracassou em seu principal objetivo desde a noite da votação: conseguir um grupo parlamentar próprio.
A líder da Frente Nacional (FN), ganhadora das eleições na França com 25% dos votos, não conseguiu aglutinar os eurodeputados necessários em torno de seu projeto.
Le Pen perde, assim, a batalha contra outro grande vitorioso em 25 de maio, o britânico populista Nigel Farage, que conseguiu formar um grupo, com as vantagens de financiamento, visibilidade e influência que isso comporta.
"Fiéis a nossos valores e compromissos políticos e de acordo com nossos aliados, decidimos privilegiar a coerência antes da precipitação", declarou a FN em um comunicado. Essa derrota evidencia a falta de coesão e de interesses comuns entre os partidos considerados populistas e eurófobos, uma ampla denominação que esconde diferenças irreconciliáveis.
No caso do projeto de Le Pen, as objeções procedem de seu principal parceiro nessa pretendida coalizão, o holandês Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade. Ele vetou um aliado que a francesa procurava há dias: um grupo polonês misógino, o KNP, que duvida da responsabilidade de Adolf Hitler no Holocausto. Tampouco ajudaram Le Pen os últimos comentários antissemitas de seu pai. "O Partido da Liberdade quer formar um grupo parlamentar, mas não a qualquer preço", argumentou Wilders à agência Reuters.
A principal dificuldade desses grupos está na pouca coincidência entre os coletivos que afrontam. O holandês Wilders pode se pronunciar contra os muçulmanos, mas não aceitar comentários antissemitas porque seu eleitorado não o apoiaria.
"Esses partidos estão muito fragmentados. Não têm programa comum, e o antieuropeísmo que os une não é suficiente. O que é aceitável em um país não o é em outro. Inclusive, se Le Pen tivesse conseguido um grupo próprio, teríamos que ver até que ponto teria sido influente", analisa Marco Incerti, do banco de ideias Centro para Estudos de Políticas Europeias.
O prazo para constituir um grupo parlamentar terminou na madrugada desta quarta-feira (25). Embora Le Pen tenha afirmado que continuará tentando, a distribuição de cargos, turnos de intervenção e trabalho em comissões se realiza agora. Para criar um grupo, são necessários 25 eurodeputados de sete países.
Farage adiantou-se há uma semana e congregou vozes populistas para criar seu grupo Europa das Liberdades e Democracia. Com 26,8% dos votos no Reino Unido, o líder do Ukip acolhe formações muito díspares, como o Movimento Cinco Estrelas do italiano Beppe Grillo, os radicais de direita suecos e uma dissidente da Frente Nacional de Le Pen. Essa amálgama o coloca à beira da dissolução diante da menor discrepância.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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