Mudar a Europa de Merkel
Gilles Lapouge - OESP
Cheio de autoconfiança, o presidente francês,
François Hollande, arrasado nas recentes "eleições europeias" e dono de
uma popularidade esquelética, parte "de espada em punho" ao ataque de
Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo. A chanceler alemã é a
verdadeira líder da Europa. Quando ela fala, todos os chefes de Estado
calam. Hollande, não!
No Conselho Europeu, que será
realizado hoje e amanhã, Hollande lançará sua ofensiva, não contra
Merkel - que ele admira -, mas contra a Europa de Merkel. Mas ele não
sairá sozinho da trincheira. Estará acompanhado por vários dirigentes
"social-democratas" europeus, e principalmente pelo "fenômeno político"
do ano, o italiano Matteo Renzi.
O ex-prefeito de
Florença, que ascendeu ao cargo de primeiro-ministro da Itália
apunhalando seu companheiro do partido radical, Enrico Letta, é
exatamente o contrário de Hollande. Muito jovem, em poucos meses, Renzi
provocou uma deflagração na Itália. Nas eleições europeias, que foram o
calvário de Hollande, obteve 40% dos votos em seu país. Como se não
bastasse, todos os outros partidos reconheceram sua força.
Qual é o objetivo dessa associação à qual se unem outros dirigentes
europeus de esquerda? Muito simples: "Mudar a Europa". Excelente ideia! A
situação desastrosa em que a Europa de Bruxelas está atolada justifica a
ambição de Renzi e de Hollande.
Entre todas as grandes
zonas econômicas, a Europa incontestavelmente deixou de existir. Logo,
Renzi e Hollande receberiam a aprovação geral quanto ao seu intento.
Mas, e quanto às suas receitas? Eles pretendem arrancar o Velho
Continente da austeridade imposta por Merkel ao seu próprio país, e que,
há três anos, ela ministra como purgante a todo o continente europeu,
principalmente quando o país visado é ao mesmo tempo europeu e "do sul".
Rejeitar a austeridade significa inaugurar uma política
de estímulo e de investimentos. Hollande insistirá na urgência de tornar
mais branda a ortodoxia orçamentária imposta por tratados europeus
absurdos, e pretenderá estabelecer como principal prioridade o
crescimento e a guerra ao desemprego.
Sem querer ironizar,
admitamos que é um tanto cômico ver um dirigente como Hollande
apresentar-se como o defensor do crescimento e do emprego, enquanto em
seu país, há dois anos, ele obtém resultados lastimáveis.
Hollande e Renzi estão convencidos de que os desempenhos fracos são
explicados pela fixação na austeridade e as inúmeras regras comunitárias
que cortam as asas à inovação, à imaginação. Detalhe: a partir do dia
1.°, a União Europeia será presidida por seis meses pela Itália.
Aguardamos impacientes.
TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
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