Diretórios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, que comandam a dissidência na sigla, pretendem recorrer contra a decisão na Justiça Eleitoral
Marcela Mattos - VEJA
CANETADA – O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que
reuniu a Executiva do partido às pressas para aprovar apoio a Dilma
(Luiz Alves/Agência Senado)
O acordo fechado entre o PP e o governo federal é explícito: o partido repassará quase um minuto e vinte segundos para a campanha eleitoral de Dilma na televisão em troca da manutenção do cobiçado Ministério das Cidades, um dos maiores orçamentos da Esplanada.
Horas antes da reunião secreta da Executiva, o PP havia saído rachado de uma tensa Convenção Nacional. Presidente da sigla e aliado de Dilma, Ciro Nogueira não conseguiu aprovar o apoio à candidatura petista no encontro nacional. Houve bate-boca e troca de xingamentos. Quando o nome de Dilma foi pronunciado, as alas gaúcha e mineira da sigla vaiaram e Ciro ouviu coro de "vendido". Cercado por integrantes da legenda, o senador voltou para o gabinete escoltado por seguranças.
A dissidência do PP é capitaneada pelos diretórios do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, além de alguns deputados refratários ao governo, como Jair Bolsonaro (RJ). No caso dos gaúchos, a senadora do partido Ana Amélia Lemos enfrentará o petista Tarso Genro na disputa pelo governo do Estado – pesquisas recentes sinalizam que o embate será acirrado. Os mineiros são aliados do tucano Aécio Neves, adversário de Dilma na corrida presidencial.
“O que saiu daqui é a imposição de uma vontade e de maneira pouco democrática. Hoje nós queríamos a neutralidade. Não há legitimidade nessa decisão”, disse Ana Amélia.
“O Ciro demonstrou despreparo, não teve capacidade de ouvir os convencionais do PP. Ele está conduzindo o partido a um buraco negro”, criticou o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Diniz Pinheiro. “Não me parece que a continuidade que aí está seja no sentido de mudar o país. Está claro que o Brasil precisa de um processo de limpeza ética”, disse o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ).
Ciro tentou se justificar sua canetada: “Apenas dois diretórios se rebelaram de forma inadequada, mas são 27 no total. Sempre ouvimos democraticamente a todos. A maioria quer o apoio à presidente e já está sacramentado o apoio”, disse.
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