O Estado de S.Paulo
É cada vez mais improvável que o déficit
nominal da Previdência Social fique em R$ 40 bilhões, como prometeu o
governo. Até agosto, o desequilíbrio já havia alcançado R$ 34 bilhões.
Esse número reforça as estimativas privadas de que o resultado deste ano
será semelhante ao de 2013, quando o déficit chegou a R$ 51 bilhões. Só
em agosto, quando foi paga a primeira parte do 13.º salário, o déficit
do INSS foi de R$ 5,9 bilhões, 17,3% maior do que o de julho e
equivalente a 56% do déficit primário do governo central.
As receitas previdenciárias em agosto foram ajudadas pelo aumento de R$ 874,6 milhões da arrecadação do Simples e pelos R$ 216,6 milhões de contribuições pagas por contribuintes em atraso que aderiram ao programa de parcelamento de débitos. Sem isso, o desequilíbrio teria sido maior.
As receitas previdenciárias em agosto foram ajudadas pelo aumento de R$ 874,6 milhões da arrecadação do Simples e pelos R$ 216,6 milhões de contribuições pagas por contribuintes em atraso que aderiram ao programa de parcelamento de débitos. Sem isso, o desequilíbrio teria sido maior.
A política de compensações trouxe, de fato, ganho contábil para o INSS, cujo resultado primário foi, até agosto, inferior ao de igual período de 2013, declinando de 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 para 1,01% do PIB em 2014.
As perspectivas são de piora das contas da Previdência. Os indicadores mais recentes sugerem que mudou a tendência do mercado de trabalho. É possível que esteja ocorrendo uma reversão no processo de queda da taxa de desemprego verificado nos últimos anos. O desemprego nas seis principais regiões metropolitanas aumentou de 4,6% em abril para 5% em agosto, segundo o IBGE. Mesmo pequeno, esse aumento vem acompanhado do menor crescimento da renda, em razão da substituição de trabalhadores com salários mais elevados por outros com salários menores. Isso tende a afetar com mais força as contas do INSS nos próximos meses, mas o efeito já começa a aparecer na receita das contribuições previdenciárias.
O desequilíbrio do INSS já é ruim para as contas do Tesouro. Seu agravamento, que os dados do mercado de trabalho parecem antecipar, tornará mais difícil a recuperação da credibilidade da política fiscal.
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