Cerveró pede Dilma como testemunha de defesa
À Justiça Federal, advogado alega
incompetência do juiz Moro, pede absolvição do réu e rejeição da
denúncia; se ação prosseguir, defesa lista presidente no rol de
testemunhas
Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt - OESP
O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró,
solicitou nesta segunda-feira, 26, à Justiça Federal do Paraná que
intime a presidente Dilma Rousseff como testemunha de defesa na ação
penal contra o executivo. A solicitação faz parte da manifestação do
advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor, encaminhada à Justiça
Federal e que pede a absolvição do réu e a rejeição da denúncia contra
ele. É a primeira vez que um réu da Lava Jato cita nominalmente a
presidente.
No documento de 18 páginas, Ribeiro alega inicialmente a
incompetência do juiz Sérgio Moro para julgar a ação. “A denúncia
oferecida pelo Ministério Público Federal narra fatos e condutas
pretensamente ocorridos na Cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de
Janeiro, evidenciando-se a manifesta incompetência desse MM. Juízo para
processar e julgar a presente demanda”, afirma o defensor no documento.
Além disso, ele afirma que houve cerceamento da defesa, pois até hoje
não teve acesso à íntegra da delação premiada de Paulo Roberto Costa, e
pede a absolvição sumária do réu e a rejeição da denúncia “em razão da
inexistência de suporte probatório mínimo com consequente extinção do
processo sem resolução do mérito”, continua. Por fim, o defensor afirma
que “caso não se entenda pela extinção do processo, com ou sem resolução
do mérito, requer sejam intimadas as testemunhas indicadas no rol em
anexo”.
Dentre o rol de testemunhas estão a presidente, os ex-presidentes da
Petrobrás José Sergio Gabrielli e José Carlos de Lucca que dirigiu a
estatal na década de 1990 e atualmente é presidente do Instituto
Brasileiro de Petróleo (IBP).
Não é a primeira vez que a defesa do ex-diretor tenta ligar Dilma ao
escândalo da Lava Jato. No começo do mês Ribeiro encaminhou uma petição à
Justiça Federal com um parecer contratado por Cerveró apontando
“negligência, violação do dever de diligência e precipitação
desnecessária” do Conselho de Administração da estatal na compra da
Refinaria de Pasadena – mais emblemático escândalo da estatal
petrolífera, que teria gerado um prejuízo de US$ 792 milhões. A
presidente Dilma Rousseff presidia o Conselho da estatal petrolífera na
época da compra, 2006.
Na ação penal, Cerveró e o lobista
Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, são
acusados de receberem propina de cerca de US$ 30 milhões para viabilizar
contratos de navios-sonda para a Petrobrás. Os pagamentos teriam sido
feitos por Júlio Camargo, representante da empresa Toyo Setal, a Baiano,
que atuaria diretamente na Diretoria Internacional, na época dos fatos
comandada por Cerveró.
VEJA A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO DA DEFESA DE CERVERÓ
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto por e-mail, mas ainda não obteve retorno.

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